Corpo de goiana desaparecida há três anos no Canadá é finalmente identificado pelas autoridades
A polícia do Canadá confirmou a identificação do corpo de Letícia Alves de Oliveira, uma brasileira natural de Goiânia que estava desaparecida há três anos no país. O corpo foi encontrado em uma floresta na província de Quebec em 2023, mas a confirmação oficial só ocorreu neste ano, após análises forenses detalhadas.
Trajetória acadêmica e mudança de vida durante a pandemia
Letícia Alves de Oliveira era uma talentosa pesquisadora que interrompeu seu doutorado no prestigiado Instituto Tecnológico Aeronáutico (ITA) para se dedicar integralmente à vida religiosa durante a pandemia de COVID-19. Seu irmão, Frederico Alves de Oliveira, revelou que ela abandonou o programa de doutorado sanduíche que faria em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, nos Estados Unidos.
Formada em química pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e mestre em ciências pelo ITA, Letícia viajou para os Estados Unidos com o objetivo de iniciar um processo de solicitação de visto americano. A última comunicação com a família ocorreu em 2026 através das redes sociais, quando ela estava em Boston.
Dedicação à vida religiosa e desaparecimento misterioso
Durante a pandemia, ainda no Brasil, Letícia se envolveu profundamente com atividades religiosas, financiando-se através da venda de livros da igreja e realizando cursos de carreira missionária. Seu irmão explicou que ela via nessa atividade uma possibilidade de trabalho e realização pessoal, embora a família não soubesse detalhes sobre como ela se mantinha financeiramente em Boston.
Frederico relatou que Letícia mencionou ter conseguido recursos para pagar um advogado de imigração, mas não forneceu informações específicas sobre sua situação nos Estados Unidos. As redes sociais da brasileira foram gradualmente apagadas, e sua conta no Facebook foi deletada no início de 2024, aumentando as preocupações da família.
Detenção nos EUA e coleta de DNA crucial para identificação
Entre janeiro e abril de 2024, Letícia foi detida pela Polícia de Imigração dos Estados Unidos, período durante o qual foi coletada uma amostra de seu DNA. Essa amostra se tornou fundamental para a identificação posterior, quando seu corpo foi descoberto em Quebec em abril do mesmo ano.
A polícia canadense utilizou essa evidência genética para confirmar a identidade da brasileira, encerrando um longo período de incerteza para a família. Letícia deixou uma filha, que atualmente tem 12 anos, com quem mantinha contato telefônico enquanto estava no exterior.
Impacto familiar e busca por respostas
A família de Letícia enfrentou anos de angústia desde seu desaparecimento, mantendo esperanças de reencontro. A confirmação da identificação traz um doloroso fechamento, mas também levanta questões sobre as circunstâncias que levaram à sua morte em uma floresta canadense.
As investigações continuam para determinar os eventos que precederam sua morte, enquanto a comunidade brasileira no exterior e em Goiás lamenta a perda de uma jovem promissora que buscava novos caminhos em sua vida pessoal e espiritual.



