Documentos revelam conexões de Jeffrey Epstein com autoridades e inteligência russa
Uma investigação do jornal americano The Washington Post, publicada nesta sexta-feira (6), trouxe à tona informações detalhadas sobre os contatos do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein com altas autoridades do governo e empresários da Rússia. A reportagem, baseada em documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, indica que essas conexões incluíam pessoas ligadas ao setor de inteligência do governo do presidente Vladimir Putin.
Comunicações e tentativas de encontro com Putin
Os documentos analisados revelam uma série de comunicações envolvendo Epstein, além de esforços persistentes por parte do financista para conseguir uma reunião direta com o líder russo. Ao longo dos anos 2010, arquivos mostram que Epstein abordou repetidamente o ex-primeiro-ministro da Noruega, Thorbjorn Jagland, sobre a possibilidade de um encontro com Putin. Embora não haja provas concretas de que essa reunião tenha ocorrido, as tentativas foram frequentes.
Em 2013, em conversas com o ex-premiê de Israel, Ehud Barak, Epstein mencionou ter recebido um convite para um evento em São Petersburgo onde Putin estaria presente, mas afirmou ter recusado. "Se ele [Putin] quiser se encontrar comigo, vai precisar de tempo e privacidade", declarou o financista na época, demonstrando seu interesse em um contato reservado.
Relação com vice-ministro russo e oferta de ajuda
O período entre 2014 e 2018 foi marcado por uma relação próxima entre Epstein e Serguei Beliakov, vice-ministro para Desenvolvimento Econômico da Rússia e alto funcionário dos serviços de inteligência do Kremlin. Os dois se encontraram várias vezes nos Estados Unidos, tanto sozinhos quanto na presença de outros bilionários americanos, como o magnata da tecnologia Peter Thiel.
Em uma comunicação notável, Epstein pediu ajuda a Beliakov em relação a um suposto caso de chantagem. "Tem uma menina russa de Moscou tentando chantagear empresários poderosos em Nova York. É ruim para os negócios de todos os envolvidos. Sugestões?", questionou o financista. Posteriormente, Epstein acrescentou que essa pessoa alegava que "homens poderosos se aproveitam de mulheres como ela".
Em resposta, Beliakov ofereceu assistência, afirmando que se encontraria com alguém que conhecia a mulher em questão e descrevendo-a como uma prostituta. Essa troca destaca o nível de confiança e colaboração entre os dois.
Reações e investigações em andamento
O Kremlin reagiu às alegações com ceticismo, descrevendo a ideia de que Epstein tinha ligações com agências de espionagem russas como "estapafúrdia" e merecedora de ridículo. No entanto, a Polônia anunciou que abriria uma investigação sobre as conexões russas do abusador, indicando a seriedade com que as revelações estão sendo tratadas internacionalmente.
Em 2016, após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, Beliakov enviou uma mensagem a Epstein dizendo: "Parabéns pelo seu presidente", ao que o financista respondeu com um simples "divertido". Essa interação sugere um tom informal e contínuo em seu relacionamento.
As descobertas do Washington Post ampliam o entendimento sobre a rede de influência de Epstein, que já era conhecida por suas conexões com figuras poderosas em vários países. A análise dos documentos continua a levantar questões sobre a extensão e a natureza desses vínculos, especialmente em um contexto geopolítico sensível.