Um casal de Minneapolis, nos Estados Unidos, viveu momentos de terror na noite de quarta-feira (15) quando agentes do Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) lançaram gás lacrimogêneo contra seu carro, onde estavam seus seis filhos. O ataque ocorreu durante um protesto na cidade de Minnesota.
Família fica presa em meio ao caos
Shawn e Destiny Jackson, ambos com 26 anos, estavam voltando para casa após um jogo de basquete quando, sem querer, entraram em uma rua bloqueada por manifestações. Ao tentar dar a volta para escapar da confusão, o veículo foi cercado por agentes federais.
Em seguida, os oficiais abriram fogo contra a multidão, lançando gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral. Uma explosão aconteceu ao lado do carro da família e uma lata de um dos dispositivos caiu embaixo do veículo, prendendo todos os ocupantes enquanto a fumaça tóxica se espalhava.
"Sentíamos que nossos pulmões estavam queimando", contou Shawn Jackson ao New York Times. Ele revelou ainda que dois de seus filhos têm asma grave, o que agravou a situação. "Água não ajudava. Nada ajudava naquele momento", desabafou.
Fuga desesperada e bebê inconsciente
Com os airbags acionados e o carro sacudido, a família precisou arrombar uma das portas para conseguir escapar. Destiny, a mãe, mesmo sem enxergar direito e com dificuldade para respirar, deu voltas ao redor do veículo para retirar todas as crianças o mais rápido possível.
Moradores da área ajudaram os oito a entrarem em uma casa próxima. O cenário era de desespero: o bebê de apenas seis meses da família havia ficado inconsciente.
Destiny realizou reanimação cardiopulmonar no filho enquanto recebia instruções dos serviços de emergência por telefone. Outras pessoas presentes jogaram leite nas outras crianças para tentar neutralizar os efeitos do gás químico.
O bebê recobrou a consciência e foi levado, junto com os pais e três irmãos mais afetados, para um hospital. A família conseguiu retornar para casa apenas na quinta-feira e afirmou que ainda não sabe o que motivou o ataque dos agentes.
Contexto de tensão e ameaça de Trump
O incidente ocorre em um momento de grande tensão em Minnesota. O descontentamento da população local aumentou após a morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente de imigração no dia 7 de janeiro, durante uma discussão com policiais que detinham imigrantes.
Na mesma noite do ataque à família Jackson, um agente atirou na perna de um venezuelano na cidade. O Departamento de Segurança Interna (DHS) justificou a ação alegando que o policial foi atacado com uma pá, mas não divulgou o nome ou o estado de saúde do homem baleado.
Enquanto isso, o ex-presidente Donald Trump ameaçou usar as Forças Armadas caso as autoridades estaduais não controlem os protestos. Em uma publicação na rede social Truth Social, ele pressionou os "políticos corruptos de Minnesota" a obedecerem à lei.
"Se não o fizerem, instituirei a Lei de Insurreição", afirmou Trump, prometendo colocar um "fim rápido à farsa". Ele também citou, sem identificá-lo, um "juiz altamente respeitado" que se recusou a bloquear as operações do ICE no estado, chamando Minnesota de "politicamente corrupto".
O ICE não respondeu aos pedidos de comentário da imprensa americana sobre o caso da família Jackson. A situação permanece instável, com a população local exigindo respostas e justiça pelas ações violentas das forças de imigração.