Autoridades dos EUA revistam antigo Rancho Zorro de Epstein no Novo México em busca de evidências
Busca no Rancho Zorro de Epstein reabre investigação sobre abusos sexuais

Operação policial no Rancho Zorro reabre investigação sobre crimes de Epstein

Autoridades do Novo México, nos Estados Unidos, realizaram nesta segunda-feira, 9 de março de 2026, uma extensa operação de busca no antigo rancho do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. A ação faz parte de uma investigação criminal reaberta recentemente, que visa esclarecer supostos abusos sexuais contra mulheres e meninas ocorridos na propriedade, conhecida como "Rancho Zorro".

Novos documentos impulsionam a investigação

O Departamento de Justiça do Novo México anunciou que a busca é um desdobramento direto da investigação criminal iniciada em 19 de fevereiro, focada nas atividades ilegais suspeitas no rancho antes da morte de Epstein, em 2019. A reabertura do caso foi motivada pela divulgação, no final de janeiro, de um lote com mais de 3 milhões de documentos relacionados ao escândalo Epstein.

Nos registros, o Rancho Zorro, uma propriedade de 4 mil hectares, é citado milhares de vezes, emergindo como um dos principais cenários dos abusos investigados. Os documentos revelam que o FBI recebeu alertas sobre a possível utilização de um incinerador escondido em um celeiro recém-construído no local, com o objetivo de destruir evidências dos crimes cometidos na área.

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Relatos de vítimas e estruturas suspeitas

Após o suicídio de Epstein na prisão, diversos depoimentos fortaleceram as suspeitas sobre o rancho. Uma mulher identificada como "Jane Doe 15" afirmou ter sido estuprada por Epstein no local quando tinha apenas 15 anos. Outra vítima, Annie Farmer, relatou que Ghislaine Maxwell, cúmplice do criminoso, teria apalpado seus seios na propriedade durante sua adolescência.

Um relatório de julho de 2019 inclui o testemunho de um policial aposentado que patrulhou a região por cerca de 15 anos. Ele descreveu a construção de um celeiro atípico para atividades rurais, equipado com uma chaminé e um sistema de segurança do tipo "sally port", que utiliza múltiplos portões para controlar o acesso. "O celeiro é suspeito, pois há uma porta de garagem que parece ser uma entrada de segurança e há uma chaminé. Há temores de que a propriedade possa abrigar um incinerador escondido para destruir evidências", destacou o documento.

Reabertura do caso e contexto histórico

Diante das novas informações, o procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, determinou a reabertura das investigações sobre o rancho. O caso havia sido encerrado em 2019 a pedido de promotores federais, mas o gabinete do procurador afirmou que "as revelações contidas nos arquivos do FBI justificam uma investigação mais aprofundada". Uma investigação do jornal The Guardian em fevereiro revelou que as autoridades federais aparentemente não haviam revisitado o rancho desde 2019.

Epstein adquiriu o Rancho Zorro em 1993 do ex-governador do estado, Bruce King. A propriedade inclui uma mansão de aproximadamente 2.500 metros quadrados, pistas de pouso privadas, hangares e diversas residências para funcionários. Em 2023, o local foi vendido por US$ 13,4 milhões (cerca de R$ 69,3 milhões) para a família do empresário texano e ex-senador estadual republicano, Donald Huffines.

Esta operação marca mais um capítulo no escândalo que continua a gerar repercussões internacionais, com autoridades buscando justiça para as vítimas e esclarecimentos sobre as redes criminosas associadas a Epstein.

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