Grupo de brasileiros e venezuelano é solto na Guiana após prisão por garimpo ilegal
Brasileiros e venezuelano soltos na Guiana após prisão por garimpo

Brasileiros e venezuelano são libertados na Guiana após prisão por garimpo ilegal

Um grupo composto por dezesseis brasileiros e um cidadão venezuelano, que estava detido na Guiana sob acusações de garimpo ilegal e entrada irregular no país, finalmente conquistou a liberdade. A soltura foi autorizada pelo Tribunal de Magistrados de Georgetown e divulgada nesta sexta-feira, dia 6, pelo empresário Daniel Trindade, que atuou diretamente na articulação para libertação dos detidos.

Detenção prolongada e condições da libertação

Os dezessete indivíduos faziam parte de um grupo maior de vinte e cinco pessoas presas durante a operação Curaretinga 27, uma ação conjunta entre os Exércitos do Brasil e da Guiana voltada ao combate do garimpo ilegal e crimes ambientais. Eles permaneceram encarcerados por mais de três meses na prisão de Timehri, localizada a aproximadamente quarenta e cinco quilômetros da capital Georgetown.

Para garantir a liberdade do grupo, foi necessário o pagamento de uma fiança no valor total de 3,4 milhões de dólares guianenses, equivalente a cerca de oitenta e sete mil reais na cotação atual. O valor individual estabelecido foi de duzentos mil dólares guianenses por pessoa. Após a liberação, os detidos chegaram a Boa Vista na tarde desta sexta-feira.

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Estratégia da defesa e situação dos ainda presos

A defesa dos acusados foi conduzida pelo escritório Rodrigues e Pereira Advogados Associados em parceria com um escritório local da Guiana. Segundo os advogados, a estratégia jurídica baseou-se na comprovação dos bons antecedentes dos réus e no argumento de que eles não representavam risco para a sociedade guianense.

O advogado explicou que, na Guiana, a atividade de mineração em si realizada pelo grupo não era considerada ilegal, mas sim a forma como a entrada e a documentação foram conduzidas. "Não houve uma ilegalidade na mineração em si, mas um desencontro de informação, de saber quais são as exigências para entrar num país vizinho e poder explorar de forma econômica a mineração", complementou Daniel Trindade.

Entretanto, do grupo original de vinte e cinco detidos, oito pessoas ainda permanecem presas. De acordo com Trindade, essas pessoas haviam confessado a prática de garimpo ilegal em uma fase anterior do processo, o que dificultou sua liberação imediata junto com o restante do grupo. A defesa informou que continua trabalhando para obter a liberdade desses indivíduos.

Dificuldades enfrentadas pelas famílias e contexto da operação

Antes da soltura, as famílias dos detentos enfrentaram sérias dificuldades e prejuízos financeiros na tentativa de libertá-los. "Já tinham praticamente três meses que essas pessoas estavam presas e a gente viu que muita gente se aproveitou, tirou dinheiro deles. Teve vaquinha que foi feita, que não foi correta, pagaram advogados que nunca resolveram", afirmou Trindade, destacando os desafios enfrentados.

A operação Curaretinga 27, realizada entre os dias 10 e 14 de novembro, resultou não apenas nas prisões, mas também na destruição de nove balsas utilizadas em garimpo ilegal na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, além de doze acampamentos de apoio à atividade ilegal. A ação também apreendeu:

  • Setenta e oito metros cúbicos de madeira ilegal
  • Um caminhão
  • Dois tratores
  • Duas motosserras
  • Uma espingarda calibre 16

No total, o valor das apreensões somou impressionantes dezenove milhões e novecentos mil reais, evidenciando a magnitude das operações ilegais combatidas pelas forças conjuntas.

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