Brasileiro de 29 anos é recrutado pelo Exército russo após falsa promessa de emprego
Brasileiro recrutado pelo Exército russo após promessa falsa

Um brasileiro de 29 anos, natural de Boa Vista, capital de Roraima, foi atraído para a Rússia com a promessa de um emprego como motorista e acabou sendo obrigado a se alistar no Exército do país. A família de Marcelo Alexandre da Silva Pereira relata que ele assinou um contrato militar sem compreender o idioma e agora busca, com apoio do governo brasileiro, trazê-lo de volta ao Brasil.

Da esperança de emprego ao alistamento forçado

A história começou quando Marcelo, que trabalhava informalmente como motorista e frentista em Boa Vista, enfrentava dificuldades financeiras e dívidas. Ele recebeu uma proposta de trabalho como motorista na Rússia, intermediada por um amigo brasileiro que mora na cidade e por uma empresa que atua como assessoria para ingresso no Exército russo nas redes sociais.

Com passaporte e passagem providenciados, ele embarcou no dia 30 de novembro de 2025 e chegou a Moscou em 3 de dezembro. A esposa, Gisele Pereira Serrão, de 24 anos, grávida do quarto filho do casal, conta que a viagem foi muito rápida. Eles deixaram para trás, em Boa Vista, três filhos pequenos, de 2, 4 e 7 anos, e planos de comprar casa e carro.

No entanto, a realidade foi completamente diferente. Em 9 de dezembro, Marcelo comunicou à esposa que havia sido obrigado a assinar um contrato com o Ministério da Defesa da Rússia. Sem falar ou entender russo, ele rubricou o documento sem compreender o conteúdo, que o designava para atuar como atirador, utilizando um fuzil AK-74.

A luta da família pelo retorno e a comunicação esporádica

Desde então, a família tenta de todas as formas trazer Marcelo de volta. A mãe, Alessandra da Silva, de 47 anos, e a esposa entraram em contato com as autoridades brasileiras. O Itamaraty confirmou que acompanha o caso. Em conversas esporádicas via aplicativo Telegram, Marcelo pede insistentemente para a família conseguir ajuda.

"Ele falou assim: 'amor, tô com saudade. Tenta acionar o consulado daqui, pois não tô conseguindo entrar em acordo com o pessoal, pois eles não me entendem e eu nem entendo eles", relatou Gisele. Em um áudio enviado na véspera do Ano Novo, ele reforçou: "Tu na luta aí, eu na luta aqui, para nada acontecer. Espero em Deus que, o mais rápido possível. Ele vai me tirar daqui".

A família acredita que ele esteja em treinamento militar na cidade de Luhansk, na Ucrânia. Quando procurou o consulado brasileiro na Rússia, ouviu que "esses casos acontecem" e que ele "não é o primeiro".

Alerta oficial e o contexto da guerra

O caso ocorre em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022. Em novembro de 2025, a Embaixada do Brasil em Moscou já havia publicado um alerta contra o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras, devido ao aumento de relatos de cidadãos mortos ou com dificuldades para deixar o serviço militar.

A situação de Marcelo ilustra os riscos de propostas que parecem boas demais para ser verdade. A família, agora, segue na esperança de que a intervenção diplomática possa reverter o quadro e trazer o brasileiro de volta para casa, longe dos campos de batalha e perto de sua esposa e filhos.