Mãe acredita que brasileiro de 23 anos pode ter morrido após se alistar no exército da Rússia
Brasileiro desaparecido após alistamento na Rússia pode estar morto

Mãe teme morte de brasileiro desaparecido após alistamento no exército russo

A família do brasileiro Chairon Vitor Sepulvida, de 23 anos, desaparecido há quase sete meses após ter se alistado no Exército da Rússia, acredita que ele possa ter morrido no país enquanto atuava no conflito com a Ucrânia. Segundo a mãe do jovem, Charlaenne Sepulvida, o nome dele aparece em uma lista não oficial que supostamente reúne brasileiros mortos na guerra e foi publicada em redes sociais por soldados.

Lista não oficial com 12 nomes circula nas redes sociais

De acordo com informações da família, uma publicação compartilhada no domingo (8) por soldados brasileiros que estão na Rússia reúne 12 nomes de possíveis combatentes mortos. Uma foto, na qual 16 homens aparecem com bandeiras do Brasil e da Rússia, também foi postada. Um trecho da publicação, escrito em russo, descreve a imagem: "Brasileiros que morreram defendendo o povo russo. Descansem em paz". Também está escrito em português: "A todos aqueles que lutou o bom combate e descansou na fé. Ser um guerreiro é viver para sempre".

Desaparecimento e últimos contatos

Chairon Vitor Sepulvida nasceu em Diadema (SP), mas seus pais são naturais de Oeiras, no Piauí. Segundo a mãe, o filho já havia servido no Exército Brasileiro e viajou para a Rússia em março de 2025, após conhecer um "canal de alistamento" no Instagram e receber uma proposta de trabalho como mecânico de armas. O jovem não mantém contato com a família desde 15 de julho de 2025, embora o último registro oficial na base de dados da Federação da Rússia seja do dia 30 daquele mês.

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No último contato, Chairon contou à mãe que participaria de um "assalto", como são conhecidos os ataques destinados a romper defesas inimigas ou conquistar objetivos previamente definidos. "Ele falava pra mim que lá é o inferno, eu falava pra ele 'então volta' e ele falava que não podia desistir, não podia voltar. Deserção do exército é um crime grave, então ele não podia desistir. Na última vez que ele falou comigo, ele falou pra mim que ia pro front, que ia participar de um assalto no front e tava saindo pra missão", relembrou Charlaenne em entrevista.

Busca por informações e luto incerto

A mãe tenta arrecadar dinheiro para ir até a Rússia em busca de informações oficiais sobre o jovem e realiza uma campanha nas redes sociais. "A gente se falava diariamente. O máximo que a gente ficava sem se falar era cinco dias, uma semana. Aí ele voltava e dizia 'mãe, voltei da missão, tô bem'. Ele tava sempre entrando em contato comigo", contou Charlaenne.

"O que eu quero é uma resposta, boa ou ruim. Eu quero saber o que aconteceu. Eu quero ter a certeza. Porque eu e minha família, a gente está vivendo um luto incerto e doloroso. Quando você começa a ter esperança de alguma coisa, você, ao mesmo tempo, perde. Meu filho não ia ficar seis, sete meses, sem me dar uma notícia se não tiver acontecido algo com ele", afirmou a mãe emocionada.

Posicionamento do Itamaraty

O g1 procurou o Governo Federal, por meio do Itamaraty, que informou não ter nenhuma novidade sobre o caso. O órgão afirmou ter conhecimento das listas que circulam na internet, mas reforçou que só se baseia em "notificações oficiais dos governos e autoridades locais".

O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Moscou, informou que está em contato com a família do brasileiro e que presta a "assistência consular cabível". Em nota, o Itamaraty explicou que "a prestação de assistência consular em situações que envolvem nacionais engajados em forças armadas de terceiros países apresenta especificidades, inerentes às obrigações contraídas no ato de alistamento e as circunstâncias no terreno de operações".

Contexto do conflito e alertas recentes

A Rússia está em guerra contra a Ucrânia desde fevereiro de 2022, quando o presidente russo Vladimir Putin autorizou uma ofensiva militar contra o território ucraniano. Desde então, o conflito provocou milhares de mortes, milhões de refugiados e intensos combates, especialmente no leste e sul do país.

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Em novembro, a embaixada do Brasil em Moscou publicou um alerta contra o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras, devido ao aumento do número de brasileiros mortos ou que tiveram dificuldade para interromper a participação no Exército. O Ministério das Relações Exteriores reforçou que não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares, em observância ao direito à privacidade e à legislação brasileira.