Uma brasileira de 36 anos, residente no Canadá, tornou pública uma experiência de violência e vulnerabilidade que abalou sua sensação de segurança. Priscilla Costa, natural do Recife, em Pernambuco, denunciou ter sido vítima de importunação sexual dentro do banheiro feminino de uma estação de metrô em Toronto.
O episódio de violência na Kipling Station
O caso ocorreu na manhã de sexta-feira, 9 de fevereiro, na Kipling Station. Segundo o relato de Priscilla, que vive no país desde janeiro de 2019, um homem invadiu o banheiro feminino e a espionou por cima da divisória da cabine enquanto ela urinava. A pernambucana contou que, ao terminar e dar descarga, sentiu uma presença estranha.
"Quando eu olhei para cima, cheguei a me espantar. Ele viu tudo, porque eu não sei quanto tempo ele estava ali. Eu estava escutando música no fone, então não ouvi barulho", declarou ela em entrevista.
O invasor teria subido no vaso sanitário da cabine ao lado para conseguir observar Priscilla. Ao percebê-lo, a brasileira reagiu imediatamente, gritando e tentando sair do local. No entanto, o homem tentou empurrá-la de volta para dentro da cabine. Em um ato de defesa, ela conseguiu empurrá-lo para fora, mas ele permaneceu em silêncio durante todo o confronto.
A fuga do suspeito e a falta de apoio imediato
Fora do banheiro, Priscilla pediu ajuda a outros passageiros que estavam na estação. "Eu comecei a gritar dizendo: 'Esse cara estava me espionando no banheiro, me ajuda'. Do jeito que eles estavam, ficaram olhando como se fosse um espetáculo. Ninguém veio para segurar o cara, para me acalmar", relatou a mulher, descrevendo um momento de profunda desamparo.
Ela também buscou auxílio de um funcionário da estação, que igualmente não se mobilizou para intervir. Aproveitando a inação das pessoas ao redor, o suspeito conseguiu fugir do local, caminhando em passos lentos, conforme descrito pela vítima.
"Os homens deixaram ele ir, e aí eu me senti nessa hora sem voz, vulnerável, impotente, insegura", desabafou Priscilla. Mesmo abalada, ela precisou seguir para o trabalho e só conseguiu formalizar a denúncia no dia seguinte, sábado (10).
Investigação em andamento e impactos na vítima
A brasileira registrou um boletim de ocorrência na delegacia da região e também fez uma queixa formal na ouvidoria da Toronto Transit Commission (TTC), a empresa responsável pelo transporte público. A agência localizou as gravações das câmeras de segurança do período do assédio e encaminhou o material para a polícia, que investiga o caso.
As consequências do trauma, porém, são profundas e diárias. Priscilla precisa passar pela Kipling Station, que fica a cerca de uma hora de sua casa, pelo menos duas vezes por semana para trabalhar, e agora vive com medo de reencontrar o agressor.
Ela mudou seus hábitos por precaução:
- Evita usar fones de ouvido para manter a atenção no entorno.
- Ficou receosa de entrar em vagões de metrô muito vazios.
- Passou a ter dificuldades para dormir, acordando assustada com a lembrança do rosto do homem.
"Antes disso acontecer comigo, eu achava que eu estava num país seguro", concluiu a recifense, expressando a quebra de confiança causada pelo episódio. O caso levanta questões sobre segurança em espaços públicos e a responsabilidade coletiva em situações de assédio.