O empresário Nelson Tanure se tornou alvo de buscas da Polícia Federal nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, e reagiu com uma nota pública para rebater o que chamou de "inverdades" sobre seu suposto envolvimento com o extinto Banco Master. A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), resultou na apreensão de seu celular quando ele tentava embarcar em um voo no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, com destino a Curitiba.
Nota oficial rebate acusações
Na manhã de quinta-feira, 15 de janeiro, Tanure divulgou um comunicado detalhado para esclarecer sua posição. O investidor, com mais de cinco décadas de trajetória nos negócios, expressou surpresa com a medida judicial, mas afirmou ter atendido ao mandado "com respeito e prontidão". Ele classificou a cena como "inusitada" para esta fase de sua vida.
O cerne da defesa de Tanure está em cinco pontos principais, nos quais ele busca desvincular sua imagem da gestão e do controle do banco que faliu. Ele foi categórico ao afirmar: "NÃO fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário". O empresário reforçou que não mantinha participação por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis ou qualquer mecanismo equivalente.
Relação estritamente comercial, segundo Tanure
No segundo ponto de sua nota, Tanure detalhou a natureza de seu relacionamento com a instituição financeira. Ele sustentou que manteve "relações estritamente comerciais, sempre na condição de cliente ou aplicador", similar ao que faz com outros bancos no Brasil e no exterior.
Essas relações, conforme descritas, incluíam aplicações financeiras, operações de crédito, gestão de fundos e aquisição de participações societárias. O empresário enfatizou que todas as operações foram realizadas dentro da legalidade e que ele não tinha "qualquer ingerência na gestão ou conhecimento das outras operações internas" do Master.
Um ponto crucial de sua defesa foi negar qualquer conhecimento sobre as relações do banco com terceiros, como Reag, BRB, Fictor, fundos de pensão, fundos árabes, RPPA, entes públicos ou políticos baseados em Brasília. Ele também assegurou que todos os recursos por ele investidos têm origem em sua trajetória empresarial legítima, que gerou empregos e riqueza para o país.
Cooperação com as autoridades e prejuízos
Tanure afirmou que já vinha reduzindo sua exposição financeira ao Banco Master há bastante tempo. Ele admitiu que os valores eventualmente remanescentes representam "perdas suportáveis, próprias de operações de tomadores de risco".
O comunicado termina com um tom de colaboração e confiança nas instituições. "Permaneço, como sempre estive, à disposição das autoridades e da Justiça para cooperar", declarou o empresário. Ele expressou fé na seriedade das investigações, acreditando que os fatos serão esclarecidos e comprovarão a licitude de suas relações com o banco, mesmo que estas tenham resultado em prejuízos significativos.
Tanure finalizou com uma mensagem de resiliência: "Sigo resiliente, com a serenidade de quem sempre conduziu seus negócios com responsabilidade e trabalho, investindo na recuperação de empresas que geram valor para o Brasil". A crise do Banco Master, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, continua sob investigação, e a atuação da Polícia Federal indica que o caso está longe de ser encerrado.