A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira, a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias supostamente praticadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A ação revelou um dado até então mantido em sigilo: uma poderosa família, não identificada, era a maior cliente da Reag Investimentos, com mais de R$ 30 bilhões em fundos administrados pela casa.
O cliente bilionário por trás da Reag
Enquanto o mercado financeiro conhecia a forte ligação entre a Reag e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, um outro cliente superava em muito os recursos do banqueiro. O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag, sempre destacou publicamente a parceria com Vorcaro, mas mantinha em sigilo a identidade deste investidor familiar colossal.
Os mais de 30 bilhões de reais estavam aplicados em fundos da Reag até a deflagração da Operação Carbono Oculto, em agosto do ano passado. Essa operação anterior expôs supostos laços entre o mercado financeiro da Faria Lima e o crime organizado. Após a revelação, a família retirou todos os seus recursos da gestão da Reag. Até o momento, não há indícios de ilicitude nas aplicações desse cliente específico.
Alvos da nova fase da operação
O cerco da Polícia Federal se ampliou nesta nova etapa. Além do banqueiro Daniel Vorcaro, a força-tarefa passou a mirar também parentes próximos. Foram incluídos como alvos da investigação o pai do banqueiro, uma irmã, um cunhado e um primo.
A operação, batizada de Compliance Zero, busca desvendar um esquema complexo de fraudes que movimentou valores bilionários. As investigações partem do princípio de que Vorcaro teria utilizado sua posição e a estrutura do Banco Master para cometer as irregularidades.
O cenário após a Carbono Oculto
A revelação do cliente bilionário ocorre em um momento de forte turbulência para a Reag Investimentos. Desde a Operação Carbono Oculto, em 2025, o ambiente de negócios na casa se transformou. A saída dos R$ 30 bilhões da família anônima representa um golpe significativo em seus ativos sob gestão.
A Polícia Federal mantém o foco em desmontar as estruturas financeiras que, segundo as investigações, foram utilizadas para lavagem de dinheiro e outros crimes econômicos. A segunda fase da Compliance Zero marca a continuidade desse trabalho, agora com um leque mais amplo de investigados, incluindo o núcleo familiar de Vorcaro.
As cenas de agentes da PF em frente à sede da Reag Investimentos, em São Paulo, tornaram-se um símbolo da pressão das autoridades sobre o sistema financeiro, na tentativa de coibir práticas irregulares em grande escala.