BC decreta liquidação de distribuidora ligada ao Master e ao Carbono Oculto
BC liquida distribuidora ligada a fraudes do Master e PCC

O Banco Central do Brasil determinou, nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial de uma distribuidora de títulos e valores mobiliários envolvida em dois grandes escândalos financeiros e criminosos que abalaram o país.

Decisão do Banco Central

Em uma ação direta, o BC decretou o fim das atividades da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., que anteriormente era conhecida como Reag Trust Distribuidora. A instituição, com sede na cidade de São Paulo, foi alvo da medida por conta de seu envolvimento comprovado em graves irregularidades.

O comunicado oficial do Banco Central foi claro ao afirmar que a decisão foi motivada por "graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)". Apesar de seu porte relativamente pequeno no sistema – representando menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN e enquadrada no segmento S4 –, as infrações foram consideradas de tal gravidade que justificaram a intervenção máxima.

Envolvimento em Grandes Escândalos

A CBSF Distribuidora não é uma instituição qualquer no cenário das investigações. Ela esteve diretamente ligada a dois dos maiores casos de fraude dos últimos anos:

  • Fraudes do Banco Master: A distribuidora foi um dos braços operacionais utilizados nas operações fraudulentas que levaram à intervenção no Banco Master.
  • Operação Carbono Oculto: Ela também atuou nas fraudes fiscais investigadas por esta operação, que apurou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro destinado a financiar o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ironia do caso é que, pouco antes do colapso, a Reag Trust (nome anterior da CBSF) havia alcançado uma posição de destaque no mercado, chegando a ser a oitava maior gestora de fundos de investimento do Brasil em 2025.

Consequências e Próximos Passos

A liquidação extrajudicial acarreta consequências imediatas e severas para os responsáveis. Os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição foram bloqueados e tornaram-se indisponíveis, conforme determina a lei para tais casos.

O Banco Central deixou claro que as apurações não terminam com a liquidação. A autarquia continuará a investigar o caso dentro de suas competências legais. Os resultados dessas investigações podem levar a medidas sancionadoras administrativas e a comunicações às autoridades competentes, como o Ministério Público e a Polícia Federal, para abertura de processos criminais.

A decisão desta quinta-feira reforça o discurso do BC de rigor na supervisão do sistema financeiro, mesmo para instituições de menor porte, quando há indícios de conexão com crimes graves como lavagem de dinheiro e fraude contra o sistema fiscal.