A influenciadora e autora conservadora Ashley St. Clair entrou com uma ação judicial contra a xAI, empresa de inteligência artificial do bilionário Elon Musk. O processo tem como motivo a geração, pela IA Grok, de imagens sexualmente explícitas da autora, criadas a partir de solicitações de usuários do chatbot.
Detalhes do processo contra a inteligência artificial
No documento judicial, Ashley St. Clair, que tem 27 anos, alega que usuários do Grok manipularam fotografias suas para produzir conteúdo pornográfico. Um dos pontos mais graves é que, em parte das imagens geradas, ela era retratada com apenas 14 anos de idade. St. Clair também afirma que as fotos falsas permaneceram disponíveis na plataforma por mais de uma semana.
Além disso, a influenciadora relata que sua conta com assinatura premium no X (antigo Twitter), rede social também pertencente a Musk, foi cancelada logo após ela reportar o ocorrido. Este não é o único processo judicial envolvendo os dois: atualmente, Ashley e Elon Musk travam uma batalha na justiça pela guarda total do filho que têm em comum.
Acusações de "design deliberado" para assédio
A advogada de Ashley St. Clair, Carrie Goldberg, emitiu um comunicado ao jornal The Guardian detalhando as acusações. "O xAI não é um produto razoavelmente seguro e representa um incômodo público. Ninguém sofreu mais do que Ashley St. Clair", declarou.
Goldberg afirmou que sua cliente moveu a ação porque o Grok estava "assediando, criando e distribuindo imagens não consensuais, abusivas e degradantes dela, além de publicá-las no X". A defesa argumenta que o dano foi causado por "escolhas de design deliberadas" da empresa, que permitiram que a inteligência artificial fosse utilizada como uma "ferramenta de assédio e humilhação".
Busca por responsabilização e limites legais para a IA
A estratégia jurídica do caso visa estabelecer um precedente importante no campo da tecnologia. "As empresas não podem se eximir da responsabilidade quando os produtos que desenvolvem causam esse tipo de dano", argumentou a advogada Carrie Goldberg.
Ela complementou: "Pretendemos responsabilizar o Grok e ajudar a estabelecer limites legais claros para o benefício de toda a sociedade, evitando que a inteligência artificial seja usada para abusos". O caso coloca em evidência a urgente discussão sobre regulação, segurança e responsabilidade civil no desenvolvimento e na operação de sistemas avançados de IA generativa.
O site Business Insider relembra o contexto do conflito pessoal entre as partes, enquanto o caso se soma a uma denúncia do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) sobre violação de proteção de dados por imagens geradas pelo Grok, mostrando que as preocupações com a ferramenta são amplas.