Uma mulher, vítima de um fotógrafo suspeito de comercializar imagens sensuais sem autorização no Rio Grande do Sul, expressou uma onda de sentimentos conflitantes ao descobrir suas fotos em uma plataforma de conteúdo adulto. Ela relata sentir, simultaneamente, raiva e um profundo medo sobre o paradeiro e a dimensão que a divulgação ilegal pode ter tomado. O caso levou à prisão preventiva de um homem de 27 anos em Porto Alegre no último sábado (3).
O relato da vítima: medo e busca por justiça
"São várias emoções ao mesmo tempo: você fica com medo, mas também com raiva. Você quer justiça, mas também fica com medo de onde essas fotos podem ter ido parar, qual é a proporção que isso pode ter", desabafa a mulher, que prefere manter sua identidade em sigilo. Ela contou à polícia que realizou diversos ensaios fotográficos com o suspeito ao longo de quatro anos e só descobriu a violação de sua privacidade ao se deparar com as próprias imagens publicadas no site.
A vítima é uma entre muitas. A investigação aponta que o fotógrafo, cujo nome não foi divulgado, estaria distribuindo e colocando à venda cenas íntimas de mulheres em um site adulto, totalmente sem o conhecimento ou consentimento delas.
O modus operandi e a investigação policial
De acordo com as apurações da Polícia Civil, o suspeito tinha um método específico para atrair suas vítimas. Ele abordava mulheres que trabalhavam com a própria imagem, como influenciadoras digitais e modelos, propondo ensaios fotográficos por valores considerados abaixo do mercado, entre R$ 30 e R$ 50.
Durante as sessões, criava um clima descontraído e, progressivamente, convencia as mulheres a tirar peças de roupa e a adotar poses sensuais. A delegada titular do caso, Thaís Dias Dequech, esclareceu um ponto crucial: as fotografias foram tiradas com a autorização das vítimas para a produção, mas a posterior divulgação e venda do material ocorreram sem qualquer consentimento, configurando crime.
A operação, batizada de "Imagem Protegida", resultou não apenas na prisão do suspeito, mas também na apreensão de diversos aparelhos eletrônicos, que serão periciados. As medidas judiciais foram cumpridas no bairro Petrópolis, na Zona Leste da capital gaúcha.
Escala nacional e estimativa de vítimas
A dimensão do caso é alarmante. A polícia estima que pelo menos 2,8 mil imagens tenham sido publicadas ilegalmente na plataforma. Até o momento, mais de 20 mulheres já formalizaram boletins de ocorrência contra o fotógrafo. No entanto, as autoridades suspeitam que o número real de vítimas possa ultrapassar a marca de 100 em diversas regiões do Brasil.
As primeiras denúncias que deram início à investigação surgiram no início de dezembro de 2023, quando mulheres se reconheceram nas fotos veiculadas no site. A partir disso, vítimas de diferentes cidades do Rio Grande do Sul começaram a procurar a delegacia. As investigações continuam ativas com o objetivo de identificar e oferecer suporte a outras possíveis vítimas, reprimindo a divulgação não consentida de nudez no ambiente digital.