Uma celebração de Ano-Novo terminou em tragédia para uma família em Guaíra, interior de São Paulo. Tony, um husky siberiano de três anos, morreu na quinta-feira, 1º de janeiro, após se ferir gravemente ao tentar fugir do barulho de fogos de artifício.
A tragédia que se repetiu
O empresário Leandro Marinaldo Lelis, tutor do animal, relatou que o cachorro, considerado manso e dócil, já havia se assustado com os fogos durante o Natal. Naquela ocasião, ao tentar escapar, Tony ficou preso na grade do portão, mas não se machucou seriamente.
Na virada do ano, por volta das 20h30, os estampidos recomeçaram. Mais uma vez apavorado, o husky tentou uma fuga desesperada. Desta vez, as consequências foram fatais. O animal se feriu de forma grave, perdendo muito sangue.
O desfecho e o apelo do tutor
Um veterinário foi chamado às pressas, mas o quadro já era irreversível. Tony sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. Leandro, que perdia não só um animal de estimação, mas um companheiro de caminhadas, fez um apelo público.
"Vim fazer um relato a respeito dos fogos de artifício, mais uma vez deixando sua vítima: meu amigo Tony", lamentou. Ele pediu mais ação das autoridades. "Pedir para as autoridades que cumpram as leis, não só façam elas e deixem a Deus dará. O intuito não é prejudicar ninguém, é cumprir as leis pra que mais Tonys não se vão", afirmou.
Lei é clara, mas desrespeitada
O estado de São Paulo possui uma legislação específica sobre o assunto. A Lei Estadual 17.389/2021 proíbe o uso de fogos de artifício com estampido em todo o território paulista. A proibição se estende à comercialização, armazenamento e transporte desse tipo de artefato, valendo para recintos fechados ou abertos, públicos ou privados.
Apesar da norma, casos de desrespeito foram registrados em várias cidades no fim do ano. Em Ribeirão Preto, por exemplo, um morador soltou fogos da janela de um apartamento no dia 30 de dezembro, assustando a vizinhança.
Risco amplificado para os animais
O perigo dos fogos para os pets é real e sério. Cães possuem uma capacidade auditiva muito superior à dos humanos, tanto em alcance quanto na percepção de frequências sonoras. O barulho intenso causa pânico, levando a comportamentos de fuga que podem resultar em acidentes graves ou desaparecimento.
Outro caso ocorrido em Ribeirão Preto na passagem do ano ilustra esse risco. Lika, uma cadela vira-lata de dois anos e meio, desapareceu após ficar assustada com os fogos. Sua tutora, Laís Siqueira, relatou que o animal saiu correndo desesperado e, desde então, a família não conseguiu encontrá-la, mesmo após buscas que se estenderam até as 4h da manhã.
A morte de Tony em Guaíra acende um alerta sobre a necessidade de fiscalização e conscientização. Enquanto a lei não for efetivamente aplicada, histórias tristes como a do husky siberiano e da cadela Lika continuarão a se repetir, transformando momentos de festa em luto para muitas famílias.