Medidas simples podem preservar biomas brasileiros e reverter cenário de desmatamento, apontam estudos
Estudos realizados por ambientalistas destacam medidas simples e eficientes que podem contribuir significativamente para a preservação da vegetação em todos os biomas brasileiros. Embora o Brasil tenha reduzido as taxas de desmatamento em seus diversos ecossistemas, ainda enfrenta um desafio considerável: a perda de cobertura florestal continua superando a capacidade de recuperação.
Dados alarmantes e projeções otimistas
De acordo com dados do MapBiomas, em 2024 o país perdeu mais de 1 milhão de hectares de vegetação nativa. No mesmo período, foram restaurados aproximadamente 600 mil hectares de áreas degradadas. Se o ritmo atual for mantido, projeções indicam que o Brasil poderá perder cerca de 5 milhões de hectares até 2035. No entanto, o potencial de recuperação é estimado em impressionantes 13 milhões de hectares, o que resultaria em um saldo positivo de 8 milhões de hectares.
Esse saldo é fundamental para alcançar um equilíbrio florestal e climático necessário para a sustentabilidade ambiental. Beto Veríssimo, cofundador do Imazon, explica: "A nossa avaliação é de que a partir de 2030 essas curvas vão se inverter. Então a gente vai chegar em 2035 com mais florestas e eventuais áreas desmatadas serão plenamente compensadas pelo fato de que a gente está plantando muito mais ou permitindo que a floresta volte naturalmente".
Exemplos práticos de recuperação ambiental
Em Sete Lagoas, região central de Minas Gerais, um projeto inovador vem recuperando áreas particulares degradadas através de parcerias com proprietários rurais. Jéssica Terra, engenheira florestal e presidente do Instituto Terrenus, detalha a iniciativa: "Nós só explicamos os benefícios, fizemos uma carta de anuência com os proprietários, eles toparam e agora a gente começou já as atividades de plantio". A meta ambiciosa é plantar 120 mil mudas de ipê-amarelo do Cerrado, contribuindo para a recuperação ambiental da região.
Segundo pesquisadores, esse caso exemplifica como é possível expandir as florestas no Brasil para reverter os danos causados pelo desmatamento histórico. O estudo sugere dois modelos principais para essa expansão:
- Restauração: envolvendo plantio direto, dispersão de sementes ou regeneração natural assistida.
- Silvicultura: que combina produção econômica sustentável com a conservação de matas nativas dentro da mesma propriedade rural.
Potencial nacional e casos de sucesso
O Brasil possui aproximadamente 11 milhões de hectares considerados aptos para receber florestas produtivas, abrindo oportunidades significativas para iniciativas de recuperação. Um exemplo notável vem de Ribas do Rio Pardo, em Mato Grosso do Sul. A localidade, que tinha a segunda maior área degradada do país, conseguiu reverter esse cenário em menos de quatro anos com apoio da iniciativa privada.
Adriana Maugeri, presidente da Câmara Setorial de Florestas do Ministério da Agricultura, ressalta os benefícios ambientais: "Trazendo a vegetação para essas áreas, mais eu tenho ali a possibilidade de fazer a remoção do CO₂, o grande vilão do aquecimento global. Você pode trabalhar projetos florestais para trazer cobertura verde de novo e vida, e trazer a ciclagem de nutrientes, de água e de vida nesses locais".
Essas iniciativas demonstram que, com medidas adequadas e compromisso coletivo, o Brasil pode não apenas frear o desmatamento, mas também promover uma recuperação ambiental significativa que beneficie tanto os ecossistemas quanto as comunidades locais.



