Comunidades do Marajó iniciam mutirões de reflorestamento após anos de queimadas
Marajó: mutirões reflorestam áreas devastadas por queimadas

Comunidades tradicionais do Marajó se unem em mutirão de reflorestamento

Comunidades ribeirinhas e quilombolas de municípios do arquipélago do Marajó, no Pará, deram início a uma importante iniciativa de recuperação ambiental no último fim de semana. Os mutirões de reflorestamento começaram em Portel e devem se estender para Breves, Melgaço e Oeiras do Pará durante os meses de março e abril deste ano.

Mais de 2.500 mudas de espécies nativas

Segundo o Observatório do Marajó, organização que coordena a ação, serão plantadas mais de 2.500 mudas de espécies nativas da região. Entre as variedades selecionadas estão açaí, cacau, pracaxi e acapu – plantas que possuem importância tanto ecológica quanto econômica para as comunidades locais.

Cerca de 50 famílias participam diretamente da iniciativa, organizadas em cinco grupos comunitários distintos. As atividades incluem não apenas o plantio coletivo, mas também oficinas, troca de saberes tradicionais e formações técnicas em agroecologia.

Planejamento desde 2025 com enfoque sustentável

De acordo com a organização, as ações vêm sendo planejadas desde 2025 e possuem um caráter abrangente. Além do reflorestamento propriamente dito, o projeto inclui:

  • Elaboração de planos de ação comunitária
  • Mapeamento de áreas para implantação de sistemas agroflorestais
  • Capacitação em técnicas sustentáveis de produção

Ediane Lima, gestora de projetos do Observatório do Marajó, destacou que "os sistemas agroflorestais permitem produção de alimentos já no primeiro ano". Ela acrescentou que a iniciativa "fortalece a coletividade, gera conhecimentos e contribui para que as famílias colham alimentos seguros e construam novas fontes de renda".

Impacto das queimadas na região

Os mutirões ocorrem em áreas severamente afetadas por queimadas nos últimos anos. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam números alarmantes:

  • Portel registrou 4.565 focos de queimadas entre 2023 e 2025
  • Oeiras do Pará teve 859 focos no mesmo período
  • Breves enfrentou mais de 20 dias consecutivos sob fumaça de queimadas em 2024

Próximas etapas e brigadas comunitárias

Após as atividades em Portel, a próxima etapa está programada para Breves, entre os dias 3 e 5 de março, em uma comunidade da zona rural do município. Paralelamente aos mutirões de reflorestamento, a região conta com cinco brigadas comunitárias de combate a incêndios florestais formadas desde 2020.

O objetivo geral da iniciativa é fortalecer práticas de recuperação ambiental e ampliar a capacidade de resposta das comunidades diante dos impactos das queimadas, criando um modelo sustentável que une conhecimento tradicional e técnicas modernas de agroecologia.