Crise no setor de reciclagem reduz coleta seletiva em Sorocaba, SP
Crise na reciclagem diminui coleta seletiva em Sorocaba

Crise no setor de reciclagem impacta coleta seletiva em Sorocaba

Moradores de bairros que recebem o serviço de coleta seletiva em Sorocaba, no interior de São Paulo, têm observado uma diminuição significativa no atendimento desde dezembro de 2025. As coletas, que anteriormente ocorriam semanalmente, agora estão sendo realizadas em intervalos maiores, com frequência quinzenal ou até mensal em diversas regiões da cidade.

Cooperativas enfrentam dificuldades financeiras e de mão de obra

As cooperativas responsáveis pelo serviço, a Cooperativa de Egressos, Familiares de Egressos e de Reeducandos de Sorocaba e Região (Coopereso) e a Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso), atribuem a redução a uma crise geral nos preços de materiais recicláveis, como pet, ferro e papelão. Juntas, essas instituições coletam mais de 300 toneladas por mês de resíduos destinados à reciclagem, atuando em diferentes zonas da cidade.

Segundo Claire Pasqualini, presidente da Coreso, a queda na coleta é agravada pela falta de mão de obra, resultado da diminuição nos preços de venda dos materiais. "Esse cenário tem gerado um ciclo difícil de romper: com menos cooperados, há menor capacidade de produção; com menor produção, há menos faturamento; e, consequentemente, as retiradas permanecem baixas, incentivando novos desligamentos", explica Claire.

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Queda acentuada nos preços dos recicláveis

A presidente detalha que, embora seja comum uma redução nos valores no primeiro trimestre devido ao aumento da oferta no fim do ano, a situação em 2026 é mais crítica do que o esperado. "A pet, que a gente vendia até o fim do ano a R$ 4,30, hoje está a R$ 2,70. A sucata de ferro, que era vendida a R$ 0,90 ou R$ 0,95, agora está a R$ 0,70. O papelão, que chegou a R$ 1,15, hoje está a R$ 0,85. Esses são carros-chefe de qualquer cooperativa e sustentam a operação, então o impacto é muito grande", relata. Apenas em fevereiro, a Coreso registrou a saída de dez cooperados, forçando a readequação do cronograma de coleta.

Moradores buscam alternativas para descarte responsável

Enquanto isso, os residentes têm enfrentado desafios para manter a separação correta do lixo. Maíra Antunes, moradora da Vila Rica, na zona oeste, destaca o acúmulo de recicláveis em casa. "Antes, de duas em duas semanas, era mais fácil, porque a gente não juntava tanto. Agora, com coletas mensais, está difícil. Tive que levar os materiais para outro local, pois dá dó descartar no lixo comum", desabafa.

Na zona leste, no bairro Bandeirantes, Alessandra Carrion tomou a iniciativa de coletar recicláveis da vizinhança e levá-los ao ecoponto mais próximo. "Estava guardando desde dezembro, era muita reciclagem. Enchi uma minivan e levei ao ecoponto próximo ao Quinzinho de Barros. Não tenho coragem de jogar junto com o orgânico, pois vai para o aterro e causa danos à natureza", afirma. Atualmente, os moradores do bairro estão se organizando para contratar alguém que faça a coleta, mas Alessandra ressalta que isso é apenas uma alternativa temporária à crise.

Resposta da prefeitura e estrutura dos ecopontos

A Prefeitura de Sorocaba foi informada pela Coreso sobre a falta de equipe para a coleta seletiva porta a porta. Em nota, o município destacou que participa do programa Integra Resíduos, do Governo do Estado, e que a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) realiza estudos para um novo modelo, aguardando definições do programa estadual.

Os contratos com as cooperativas são acordos de cooperação, nos quais a cidade fornece infraestrutura (galpão, caminhões e máquinas), e as instituições são responsáveis pela mão de obra e execução do serviço, sem pagamento direto da prefeitura. Isso difere do contrato de R$ 157 milhões para coleta de lixo com o consórcio Novo Sorocaba Ambiental, recentemente alvo de irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

Para auxiliar os moradores, Sorocaba mantém quatro ecopontos municipais, que funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, e aos sábados, das 7h às 12h:

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  • Ecoponto Vila Helena – Rua Roque Sampaio, 100
  • Ecoponto Cajuru – Rua Mário Monteiro de Carvalho, s/nº
  • Ecoponto Júlio de Mesquita Filho – Avenida Domingues Martins, s/nº
  • Ecoponto Vila Isabel – Rua Lourenço Molinero, 200

A Coreso informou que deve publicar as novas datas para as coletas nos bairros até segunda-feira (2), enquanto a comunidade continua a buscar soluções para mitigar os efeitos dessa crise ambiental.