Sistema Cantareira abaixo de 20%: SP pode ficar sem água em 2026
Cantareira abaixo de 20% coloca SP em risco de falta d'água

Um alerta grave foi emitido para a população do estado de São Paulo: o risco real de enfrentar a falta de água já em 2026. A advertência partiu do climatologista José Marengo, coordenador geral de pesquisa do Cemaden, durante entrevista ao Hora News na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026. A situação crítica persiste mesmo com o período de chuvas, revelando uma vulnerabilidade que se arrasta há uma década.

A Crise que Não Passa: Cantareira Abaixo dos 20%

O coração do abastecimento da região metropolitana, o Sistema Cantareira, opera com seus reservatórios abaixo da marca dos 20%. Este dado alarmante contrasta com a percepção de chuvas constantes na capital paulista. Marengo explica que o problema está na distribuição dessas precipitações: "a água não cai na área dos reservatórios". Apesar do volume intenso sobre a cidade, as regiões de captação do sistema continuam secas, um fenômeno agravado pelas mudanças climáticas.

O especialista traça um paralelo direto com o colapso hídrico histórico de 2014 e 2015. Desde aquela crise, o sistema nunca se recuperou de forma significativa. Marengo destaca que, com exceção do ano de 2022, quando o volume armazenado chegou a 73%, o Cantareira não conseguiu ultrapassar a marca de 50% de sua capacidade nos últimos anos. "A crise de agora é algo que já se vem alastrando desde quase uns 10 anos", afirmou o pesquisador.

O Verão de 2026 e o Perigo do Consumo Excessivo

As previsões para o atual verão não trazem esperança de alívio. A probabilidade de chuvas abundantes sobre a região da Cantareira é considerada bastante baixa. Este cenário se combina com outro fator de risco: o aumento das temperaturas. O calor tende a elevar o consumo doméstico de água, pressionando ainda mais os já escassos reservatórios. "Com o aumento das temperaturas, a preocupação é que a população use água em excesso pelo calor, e isso pode comprometer o volume armazenado", alerta Marengo.

Diante deste panorama, a pergunta direta sobre o risco de as torneiras secarem em 2026 foi respondida com um "Infelizmente sim, corre o risco" pelo climatologista. A afirmação coloca em evidência a urgência de medidas para evitar um colapso no abastecimento para milhões de pessoas.

Conscientização é a Chave para Evitar o Colapso

Para enfrentar a iminência de um racionamento severo, José Marengo aponta a conscientização da população como medida crucial. Ele defende que é preciso entender coletivamente que a água é um recurso finito e que o estado vive uma crise prolongada. Medidas como racionamento, redução da pressão nas torneiras e, principalmente, a redução voluntária do consumo são vistas como caminhos necessários.

"Temos que conscientizar, como população, que a água não é ilimitada, que estamos em uma crise, que nós não queremos chegar a um racionamento de corte de vários dias, particularmente no verão, e que depende de nós reduzirmos esse consumo", concluiu o especialista. A mensagem é clara: a ação imediata de cada cidadão no uso responsável da água pode ser a diferença entre a normalidade e um colapso generalizado no abastecimento em um futuro próximo.