Um impasse envolvendo a desapropriação da sede do Jóquei Clube de Goiás, um ícone arquitetônico localizado no Setor Central de Goiânia, opõe a Prefeitura municipal e a diretoria do clube. A construção, projetada em 1962 pelo renomado arquiteto Paulo Mendes da Rocha em parceria com João Eduardo de Gennaro, possui valor histórico e cultural, mas encontra-se abandonada há anos. Em julho de 2025, a Prefeitura declarou a utilidade pública do imóvel de quase 22 mil metros quadrados, sendo 11,2 mil de área construída, para fins de desapropriação. No entanto, a transferência para o poder público ainda não ocorreu devido a uma disputa que envolve dívidas milionárias.
Pontos de divergência
Os principais pontos de conflito entre a presidente do clube, Nívea Cristina de Paula, e o procurador-geral do município, Wandir Allan de Oliveira, incluem:
- Indenização de R$ 50 milhões: valor que o clube alega ser devido pela desapropriação.
- Cálculo dos IPTUs atrasados: tanto da sede quanto do hipódromo da Lagoinha, que não está incluído na desapropriação.
- Avaliação imobiliária da construção: divergência de cerca de R$ 26 milhões no valor da edificação.
Dívidas de R$ 250 milhões
Segundo o procurador-geral, a dívida total do Jóquei Clube com o município ultrapassa R$ 250 milhões, incluindo IPTUs não pagos, multas, ISS e outros tributos. Especificamente sobre a sede, o débito é de aproximadamente R$ 50 milhões, valor próximo ao pedido de indenização. A prefeitura propõe que a indenização seja compensada com a quitação desses débitos. No entanto, a presidente do clube contesta os cálculos, apontando inconsistências, como o aumento do IPTU de R$ 4 milhões para R$ 20 milhões entre 2017 e 2018, e posterior redução para R$ 13 milhões. Ela classifica o tributo como "confiscatório".
Desvalorização de R$ 26 milhões
A avaliação da sede, segundo Nívea, seria de R$ 48 milhões pela área e R$ 33 milhões pela construção, totalizando R$ 81 milhões. Contudo, a prefeitura, considerando o estado de abandono, desconsidera R$ 26 milhões do valor da construção, avaliando o imóvel em R$ 55 milhões. A presidente defende que a estrutura está preservada, sendo uma obra de arquitetura brutalista de alta qualidade.
Preocupação do CAU-GO
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO) manifestou preocupação com o futuro do imóvel, classificado como "uma das obras mais expressivas da arquitetura moderna brasileira". O conselho destaca o estilo brutalista, com concreto aparente, grandes vãos e estrutura racionalizada.
Próximos passos
A presidente do clube afirma que a diretoria deseja regularizar a situação e pagar as dívidas, mas defende uma indenização justa. Já o procurador-geral adverte que, se não houver acordo até o final do mês, a prefeitura buscará a posse do imóvel por via judicial, com expectativa de obtê-la em 30 dias. Uma visita conjunta à sede está marcada para 6 de maio. O clube planeja transferir suas atividades para uma nova área na GO-020, enquanto a Prefeitura estuda, em parceria com o Governo de Goiás, a destinação futura do espaço.



