Brasil gera 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano; saiba como descartar
Brasil gera 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano

Todo mundo tem aquela gaveta cheia de itens antigos: pilhas, cabos, carregadores, celulares e câmeras que não são mais usados. Esses objetos constituem o chamado lixo eletrônico, e o Brasil é o quinto maior produtor mundial desse tipo de resíduo, gerando impressionantes 2,4 milhões de toneladas por ano.

Um problema complexo

Diferentemente do lixo comum ou reciclável, o lixo eletrônico é composto por uma vasta gama de materiais, o que torna seu processo de reciclagem bastante complexo. Para que seja reciclado adequadamente, é necessária uma desmontagem minuciosa, separando cada componente para o destino correto. Atualmente, apenas uma pequena fração das milhões de toneladas produzidas no país passa por esse processo.

O Brasil conta com uma lei que obriga fabricantes, importadores e varejistas a recolherem seus produtos após o uso. No entanto, ainda existe um enorme gargalo na implementação efetiva dessa norma.

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O que é descartado no Brasil?

A 'montanha' de resíduos eletrônicos gerada anualmente no país inclui uma diversidade de itens, desde pequenos cabos até grandes eletrodomésticos. Os materiais mais comuns são plásticos, metais como aço e alumínio, e metais preciosos como prata e ouro.

O processo de reciclagem

O descarte desse tipo de lixo exige um processo de manufatura reversa. Por exemplo, um celular descartado precisa passar por uma desmontagem cuidadosa para separar materiais como:

  • Carcaça: Feita de plástico e aço. O revestimento externo é separado para recicladores de base. O plástico pode virar matéria-prima para novos produtos (baldes, copos), e o aço segue para siderúrgicas.
  • Tela: O vidro é isolado para ser processado e reinserido na indústria.
  • Bateria: A bateria de lítio é removida com cuidado para que seus materiais químicos sejam recuperados de forma segura dentro do próprio Brasil.

Dessa forma, o material pode retornar ao mercado, gerando menos impacto ambiental. O único ciclo que o país ainda não consegue fechar totalmente é o das placas eletrônicas, que contêm metais preciosos como ouro e prata. Essas peças precisam ser exportadas para empresas na Europa ou Ásia que possuem tecnologia para extrair esses materiais.

Desafios na fiscalização

A Green Eletron, organização sem fins lucrativos que atua na coleta de lixo eletrônico, trabalha com grandes empresas como Apple, Samsung, Dell e HP. Em 2025, a entidade recolheu 12,5 mil toneladas de produtos eletrônicos em todo o país. No entanto, esse número representa apenas uma fração das 2,4 milhões de toneladas descartadas anualmente, segundo dados da ONU.

De acordo com Ademir Brescansin, gerente executivo da Green Eletron, apesar da lei exigir que as empresas sejam responsáveis pelo lixo que produzem, a realidade é diferente: 'Temos cerca de 5 mil empresas que produzem, vendem ou exportam eletrônicos para o país. No entanto, mapeamos que apenas cerca de 150 empresas atuam na coleta e destinação correta desses resíduos. Isso é uma lacuna de fiscalização que causa muito impacto ambiental.'

Para Brescansin, é necessária uma ação de fiscalização maior do governo federal e medidas mais duras, como impedir a importação de empresas que não comprovem ter um sistema de logística reversa para dar o destino correto ao lixo eletrônico gerado por seus produtos.

Como descartar seu lixo eletrônico

Se você tem equipamentos parados em casa, existem três caminhos principais para o descarte correto:

  • Fabricantes e Importadores: O consumidor pode entrar em contato direto com o fabricante do produto, que por lei deve oferecer uma opção de descarte.
  • Entidades Gestoras: Organizações do terceiro setor, como a Green Eletron, disponibilizam mapas em seus sites para que o cidadão encontre o ponto de coleta mais próximo de sua residência.
  • Ações Governamentais: O Ministério do Meio Ambiente mantém parcerias para pontos de coleta em diversas cidades. Para saber onde fica o posto em sua cidade, basta entrar em contato com a prefeitura.

O descarte correto do lixo eletrônico é fundamental para reduzir o impacto ambiental e promover a economia circular. Cada pequena ação contribui para um futuro mais sustentável.

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