El Niño se aproxima do Rio Grande do Sul com previsão de chuvas volumosas em 2026
As condições atuais do oceano Pacífico indicam a aproximação do fenômeno climático El Niño, com previsão de ocorrência ainda em 2026. Segundo especialistas, há maior chance de confirmação no segundo semestre do ano, trazendo preocupação aos gaúchos devido ao histórico de catástrofes associadas ao fenômeno.
Probabilidade elevada e cenário de alerta
Em entrevista à RBS TV, Anderson Ruhoff, climatologista e professor do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), confirmou que as chances aumentam significativamente entre setembro deste ano e janeiro de 2027. "Em torno de 90% de probabilidade de ocorrência, especialmente no segundo semestre", afirmou o especialista.
Porém, Ruhoff destaca que ainda é cedo para prever com precisão os impactos específicos no estado. "O que a gente pode dizer hoje é que ele tem uma probabilidade muito grande de ocorrer, de uma forma moderada, forte ou muito forte. E isso indica, basicamente, que eventos podem ocorrer aqui no Rio Grande do Sul", explicou.
Contexto histórico e fatores combinados
O climatologista relembrou que as grandes enchentes de 2023 e 2024 no estado aconteceram devido a uma combinação complexa de eventos climáticos. Entre eles, destacam-se o bloqueio atmosférico causado pelas altas temperaturas no centro do Brasil, que concentraram as chuvas na região Sul.
"Naquele período, nós tínhamos temperaturas muito elevadas na região central do Brasil, que geraram esses bloqueios atmosféricos e, ao mesmo tempo, os oceanos, especialmente o Atlântico Equatorial e Tropical, estavam muito quentes também", detalhou Ruhoff. Assim, o comportamento das temperaturas na região central do país são "eventos importantes que a gente precisaria observar" para entender melhor os possíveis cenários.
Características do fenômeno e preocupações regionais
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico em pelo menos 0,5°C, ocorrendo com frequência a cada dois a sete anos. Para o Sul do Brasil, o fenômeno tradicionalmente traz chuvas volumosas, aumentando os riscos de enchentes e alagamentos.
Conforme a Climatempo Meteorologia, historicamente, o aumento da chuva na Região Sul é mais preocupante durante a primavera, estação que já costuma registrar eventos de precipitação mais intensos. A catástrofe histórica de maio de 2024, que atingiu o Mercado Público de Porto Alegre, ocorreu durante um super El Niño, reforçando a atenção sobre o fenômeno.
Risco de super El Niño e chamado à cautela
Embora exista a possibilidade de um super El Niño, os especialistas pedem cautela na interpretação dos dados. A combinação de fatores climáticos, como observado nos eventos anteriores, desempenha papel crucial na intensidade dos impactos.
A comunidade científica continua monitorando as condições oceânicas e atmosféricas para refinar as previsões e orientar as medidas de prevenção necessárias. A atenção se volta especialmente para os próximos meses, quando os indicadores devem se tornar mais claros.



