Agrotóxicos Aéreos Causam Estragos em Comunidade do Maranhão
Uma grave situação de contaminação ambiental e prejuízos agrícolas está sendo denunciada pelos moradores de Duque Bacelar, município localizado a aproximadamente 340 quilômetros de São Luís, no Maranhão. A pulverização aérea de agrotóxicos realizada na sexta-feira, dia 10, teria causado danos extensivos no povoado Santo Antônio, destruindo plantações e contaminando fontes vitais de água.
Drones e Contaminação Generalizada
Testemunhas relataram que drones foram flagrados sobrevoando a comunidade durante a aplicação dos produtos químicos nas lavouras. No entanto, o agrotóxico não se limitou às áreas agrícolas. O produto atingiu casas, roças e, de forma especialmente preocupante, dois cacimbões – poços que abastecem a população local. A contaminação tornou a água completamente imprópria para o consumo, deixando parte da comunidade sem acesso a água potável.
Problemas de Saúde e Falta de Ação Municipal
Os impactos na saúde começaram a surgir rapidamente. Há relatos de moradores, incluindo idosos e crianças, apresentando sintomas como alergias cutâneas, tosse persistente e vômitos. Estes sintomas podem estar diretamente relacionados à exposição ao agrotóxico ou ao consumo da água contaminada. A situação é agravada pela aparente inação das autoridades locais. Os moradores afirmam que, desde o ocorrido, nenhuma medida concreta foi adotada pelo município para conter os danos ou fornecer apoio emergencial.
Lei Revogada e Fiscalização em Andamento
Um aspecto que aumenta a indignação da comunidade é o fato de que Duque Bacelar possuía uma lei municipal, datada de 2002, que explicitamente proibia a pulverização aérea de agrotóxicos. Esta norma de proteção ambiental foi revogada recentemente, abrindo caminho para práticas como a que causou o atual desastre. Em resposta aos acontecimentos, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Maranhão (SEMA) emitiu uma nota informando que, apesar de não ter recebido uma denúncia formal sobre o caso, já entrou em contato com o órgão ambiental municipal para apurar as informações.
A secretaria estadual ressaltou que a pulverização de agrotóxicos deve seguir normas técnicas específicas e que qualquer irregularidade está sujeita a investigação e responsabilização. A SEMA também se comprometeu a adotar as medidas cabíveis após a formalização das denúncias e a comprovação técnica dos fatos. Até o momento, a Prefeitura de Duque Bacelar não se manifestou publicamente sobre o caso, deixando a comunidade em um estado de incerteza e vulnerabilidade.
A situação em Duque Bacelar expõe os riscos ambientais e sanitários associados ao uso inadequado de agrotóxicos, especialmente através de métodos aéreos, e levanta questões urgentes sobre regulamentação, fiscalização e o direito das comunidades a um ambiente saudável e à água potável.



