A Tirolesa Pôr do Sol, localizada em São Tomé das Letras (MG), retomou suas atividades neste sábado (10), após um trágico acidente que resultou na morte de uma turista no fim de dezembro de 2025. A reabertura ocorre enquanto a Polícia Civil ainda apura as circunstâncias do óbito, para avaliar a possível existência de negligência.
Detalhes do Acidente e a Investigação em Andamento
A vítima foi identificada como Ana Paula de Jesus Oliveira, de 30 anos, natural de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O fato ocorreu no dia 28 de dezembro, em um momento em que um alerta de tempestade com raios estava vigente na região. De acordo com o boletim da Defesa Civil Estadual, uma tempestade com descargas elétricas atingia o município quando um raio alcançou um ponto elevado e atingiu indiretamente duas pessoas na área.
Conforme o Boletim de Ocorrência, Ana Paula passou mal após a descarga elétrica e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Ela foi socorrida e levada para a Unidade Mista de Saúde do município, mas não resistiu aos ferimentos. Um funcionário da atração também foi atingido e encaminhado em estado estável para um hospital em Três Corações.
O advogado dos proprietários da tirolesa, Gilberto Benedito, informou que a perícia da Polícia Civil ainda não visitou o equipamento. Ele afirmou que o local foi preservado para as fiscalizações e que a atração ficou fechada por consideração à família e devido ao trauma causado nos funcionários.
Questionamentos da Família e Regras de Segurança
O marido de Ana Paula, Helbert Daniel, com quem ela era casada há seis anos, questionou publicamente os protocolos de segurança da atração. Em vídeo, ele afirmou que o raio teria atingido a base superior da tirolesa e a descarga se propagou até o ponto de chegada. Helbert sugeriu que o piso de pedra no local e a proximidade da chuva podem ter contribuído para a tragédia, e defendeu que ela poderia ter sido evitada com a interrupção preventiva da atividade.
A tirolesa, que tem 580 metros de extensão e altura máxima de 95 metros, possui regras de uso que incluem a paralisação em caso de chuva, ventos fortes, raios ou trovoadas. Entre outras normas, estão a proibição para gestantes e pessoas com problemas cardíacos, a exigência de termo de responsabilidade e o uso obrigatório de equipamentos de segurança.
Posicionamento da Empresa e Próximos Passos
Em nota divulgada nas redes sociais, a empresa responsável pela Tirolesa Pôr do Sol afirmou que o raio foi percebido em vários pontos da cidade e que a atividade já havia sido concluída no momento do incidente. A empresa reforçou que não houve falha técnica nem acidente durante a descida, e que a estrutura e os equipamentos estão dentro das normas.
No comunicado, a administração disse que, mesmo sem indícios de que o ocorrido tenha atingido a estrutura, optou por aguardar a perícia antes de retomar. "Reforçamos que não retomaremos as atividades até que haja um laudo técnico oficial confirmando que está tudo em perfeitas condições", disse a nota, que contradiz a informação da reabertura ocorrida no sábado (10). A empresa se colocou à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários.
O corpo de Ana Paula foi sepultado no Cemitério Parque Retiro da Saudade, em Betim. A Polícia Civil segue com as investigações para determinar as causas precisas da morte e a eventual responsabilidade pelo ocorrido.