Rua é 'engolida' por voçoroca em Buriticupu; famílias fogem de cratera
Rua engolida por voçoroca em Buriticupu; famílias fogem

Rua é 'engolida' por voçoroca na Vila Isaías, em Buriticupu

Na madrugada desta sexta-feira (1º), por volta das 3h, parte da rua São Francisco, na Vila Isaías, em Buriticupu (MA), foi 'engolida' por uma voçoroca. O barranco cedeu, e a cratera gigante avançou sobre a via. Uma moradora precisou retirar seus bens às pressas, com medo de que sua casa, localizada próxima ao abismo, fosse tragada. A residência corre risco iminente de desabar.

Histórico de erosões em Buriticupu

Buriticupu, a 415 km de São Luís, convive há cerca de quatro décadas com processos erosivos graves conhecidos como voçorocas. Já foram catalogadas 33 crateras na cidade, que causaram sete mortes e afetaram mais de 360 famílias. O fenômeno é agravado pelo crescimento urbano desordenado, desmatamento e falta de planejamento.

Avanço das crateras

Segundo Isaías Cardoso Aguiar, presidente da Associação de Áreas Atingidas por Voçorocas, o problema se intensificou a partir de 2015, com a expansão da cidade para áreas vulneráveis. Desde então, 83 casas foram destruídas ou engolidas pelas erosões. Na Vila Santos Dumont, uma única cratera já engoliu 50 residências.

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Durante o período chuvoso, o medo é constante. Moradores ouvem estrondos à noite, sinal de que as erosões continuam avançando. Em um ano, uma cratera avançou 18 metros, partiu uma rua ao meio e desabrigou 16 famílias.

O que são voçorocas?

Voçorocas são fendas no solo provocadas pela água da chuva, aceleradas pelo desmatamento e pela falta de cobertura vegetal. Em Buriticupu, a rápida urbanização sem planejamento e a ausência de drenagem adequada nas ruas pavimentadas contribuem para o agravamento do problema. O professor Marcelino Farias, da UFMA, explica que, no período chuvoso, as ruas se transformam em rios que direcionam a água para as encostas, formando as crateras.

Medidas de contenção

O professor Fernando Bezerra, da UEMA, destaca a necessidade de proteger o solo com vegetação, retirar famílias das áreas de risco, desviar fluxos de água e aplicar técnicas de bioengenharia. A Justiça do Maranhão, em ação civil pública movida pelo Ministério Público, determinou que a prefeitura isole e sinalize as áreas de risco, atualize o cadastro das famílias, garanta aluguel social e apresente um plano de obras de contenção. A prefeitura recorreu, e o caso aguarda julgamento.

O Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional informou que mais de R$ 50 milhões estão empenhados ou em análise para projetos de drenagem e recuperação. A Prefeitura de Buriticupu não se manifestou.

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