O Chile enfrenta uma das piores tragédias ambientais de sua história recente. Incêndios florestais de proporções devastadoras assolam as regiões do centro-sul do país, deixando um rastro de destruição, morte e desespero. As autoridades chilenas confirmaram, nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, que pelo menos 19 pessoas perderam a vida devido às chamas, que forçaram a evacuação de dezenas de milhares de residentes.
Uma tempestade de fogo impiedosa
Os focos de incêndio tiveram início no sábado, 17 de janeiro, e encontraram condições ideais para se alastrarem com violência incontrolável. Uma combinação perigosa de ventos fortes e uma intensa onda de calor, típica do verão no Hemisfério Sul, transformou o fogo em verdadeiras tempestades de fogo. A pequena cidade costeira de Penco, na região de Biobío, foi uma das mais castigadas, concentrando o maior número de fatalidades.
Imagens aéreas e relatos de sobreviventes mostram a dimensão da devastação. Mais de 25 mil hectares de terra foram consumidos pelas chamas. Enquanto bombeiros ainda combatiam focos ativos na manhã desta segunda-feira, moradores começavam o doloroso retorno – ou o que restou dele – para vasculhar os escombros de suas vidas.
Histórias de perda no meio dos escombros
O balanço oficial aponta que cerca de 1.300 residências foram danificadas ou destruídas, sendo 325 delas totalmente reduzidas a cinzas. Por trás de cada número, há uma história de perda. Ana Caamaño, de 51 anos, personifica o drama coletivo. Ao retornar à cidade de Lirquén, encontrou apenas destroços da casa que herdou de seus pais.
"Nada é tão importante assim, mas são lembranças", lamentou ela à agência Reuters, segurando um conjunto de anéis carbonizados, uma das poucas coisas recuperadas. Junto dos anéis, apenas uma concha de metal e o cadáver de um de seus quatro cães. Ana e o marido, Luis, estavam visitando familiares no sábado. Quem testemunhou o avanço implacável do fogo foi seu filho, Franco.
O jovem tentou, em vão, proteger a casa com uma mangueira. "Foi como um raio, muito rápido", descreveu Franco. Uma rajada de vento repentina carregou uma nuvem densa de fumaça e, em seguida, as chamas, que se propagaram com uma velocidade que deixou pouca chance de reação ou fuga para os moradores.
Estado de catástrofe e alerta permanente
Diante da gravidade da situação, o governo chileno decretou estado de 'catástrofe climática' nas regiões de Biobío e Ñuble. A medida permite que as Forças Armadas assumam o controle direto da segurança e das operações de socorro nessas áreas. O maior incêndio individual ocorreu nos arredores de Concepción, capital de Biobío, consumindo sozinho 14 mil hectares.
O ministro da Segurança, Luis Cordero, alertou para o risco de novos focos, já que a previsão do tempo não traz alívio. Partes do centro e sul do Chile permanecem sob alerta de calor extremo, com termômetros que podem atingir os 37ºC nos próximos dias. Embora uma ligeira melhora nas condições meteorológicas tenha ajudado os combatentes em algumas frentes, dezenas de focos ainda estavam ativos no início da semana.
As equipes de emergência seguem em um trabalho extenuante para conter as chamas e prestar assistência aos 50 mil evacuados, número que ilustra a escala humanitária desta tragédia. O país se vê, mais uma vez, diante da fúria dos elementos, em um evento extremo que acende o alerta para a urgência das crises climáticas globais.