Estudantes de diversos cursos mantêm, nesta sexta-feira (8), a ocupação do prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), localizado no campus Butantã, na Zona Oeste de São Paulo. O grupo invadiu o espaço na tarde de quinta-feira (7), durante um protesto relacionado à greve das universidades estaduais paulistas.
Detalhes da ocupação
Os alunos passaram a noite em barracas do lado de fora do prédio e também dormiram em colchões no interior da reitoria. À TV Globo, os discentes afirmaram que a universidade cortou o fornecimento de energia e água na manhã desta sexta, informação confirmada pelo g1. Ao menos três policiais do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) estão dentro do prédio, posicionados com escudos em um dos acessos. Duas viaturas da Polícia Militar fazem ronda nas proximidades.
Reivindicações dos estudantes
O ato cobra a retomada das negociações com o reitor da USP, Aluísio Segurado. Os estudantes exigem melhoria nas políticas de permanência estudantil, como aumento de bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi. No dia 15 de abril, alunos relataram ter encontrado um ninho de pombo dentro da cozinha do Conjunto Residencial da USP (Crusp).
Posição da União Estadual dos Estudantes
Henrique Pupio, diretor da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, afirmou ao g1 que a reitoria não estaria disposta a ceder à pressão. "Acreditamos que essa intransigência tem levado a um maior tensionamento, que só poderá ser resolvido com a reabertura do diálogo com os estudantes", declarou Pupio, que também é estudante da Faculdade de Direito e diretor do Centro Acadêmico XI de Agosto. Ele completou: "Quanto à Faculdade de Direito, estando em processo de assembleia hoje e segunda para deliberar a continuidade na greve, o XI de Agosto defende que a mesa de renegociação seja reaberta e que os estudantes sejam ouvidos. Somente o diálogo poderá resolver a situação."
Invasão e danos ao patrimônio
Imagens gravadas no local por um funcionário da universidade mostram o momento em que manifestantes pulam o portão de entrada e derrubam portas de vidro do edifício. Cerca de 400 estudantes participaram da manifestação. Durante a manhã de quinta-feira (7), alunos acamparam em frente à entrada da reitoria e, após pularem o portão, entraram no saguão. O portão externo também foi derrubado. Policiais militares, alguns com escudos, acompanharam a movimentação à distância, mas não houve confronto.
Greve nas universidades estaduais
A greve reúne estudantes da USP, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Na USP, alunos do Crusp afirmam que os prédios enfrentam problemas estruturais graves. A equipe da TV Globo esteve no Crusp na noite de quarta-feira (6) e registrou diversas luminárias queimadas, pisos, janelas, azulejos e canos velhos e quebrados, além de quartos com mofo e infiltrações não resolvidas. Em uma cozinha coletiva, as luzes não acendem; em outra, o fogão apresenta vazamento de gás, obrigando os alunos a desligar o registro geral embaixo da pia.
Na Unesp, estudantes do Instituto de Artes, na Barra Funda, também aderiram à paralisação. Eles pedem ampliação de serviços básicos no período noturno, como atendimento médico e funcionamento da biblioteca até o fim das aulas. A mobilização ganhou força após a morte da professora Sandra Regina Campos, que sofreu um mal súbito durante uma palestra à noite na universidade, em 7 de abril. Segundo estudantes, os profissionais de saúde já haviam deixado o campus quando ela passou mal.
Posicionamento das universidades
Em nota, a reitoria da USP lamentou a invasão e os danos ao patrimônio público, informando que acionou forças de segurança para evitar a ocupação de outros espaços do campus. A Unesp afirmou que não foi procurada oficialmente por representantes do movimento estudantil, mas que as reivindicações serão discutidas na próxima segunda-feira em reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas. Já a Unicamp disse que mantém diálogo contínuo com entidades estudantis e direções das unidades, priorizando políticas de permanência estudantil, incluindo moradia, transporte e auxílios financeiros.



