Por que as mensagens de voz do WhatsApp dividem opiniões pelo mundo?
Mensagens de voz do WhatsApp: amor e ódio global

As mensagens de voz no WhatsApp, lançadas em agosto de 2013, tornaram-se um fenômeno global, mas dividem opiniões. Enquanto em países como Índia, México, Hong Kong e Emirados Árabes Unidos elas são quase tão populares quanto os textos, no Reino Unido, apenas 15% dos adultos as usam regularmente, segundo pesquisa do YouGov de abril de 2024. O estudo, com mais de 2,3 mil britânicos, mostrou que 83% preferem mensagens de texto, e apenas 4% são partidários dos áudios. No Brasil, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, declarou em junho de 2024 que os brasileiros enviam quatro vezes mais mensagens de voz no WhatsApp do que qualquer outro país.

O apelo emocional das mensagens de voz

Pesquisas indicam que ouvir a voz de um ente querido pode reduzir o estresse e aumentar o vínculo afetivo. Um estudo de 2011 da Universidade de Wisconsin-Madison mostrou que crianças que recebiam ligações dos pais tinham níveis mais baixos de cortisol e mais altos de oxitocina. O psicólogo Seth Pollak, coautor do estudo, sugere que mensagens de voz pré-gravadas podem ter menos impacto emocional do que chamadas ao vivo, mas ainda assim oferecem benefícios. Já o psicólogo Martin Graff, da Universidade do Sul do País de Gales, aponta que a "teoria da riqueza dos meios" explica como o áudio transmite emoções e reduz incertezas, fortalecendo conexões.

Fatores culturais e linguísticos

A professora Jessica Ringrose, do University College de Londres, sugere que a cultura britânica, mais reservada, pode explicar a rejeição aos áudios. Já em países multilíngues como a Índia, as mensagens de voz facilitam a comunicação entre idiomas. Shreya, estudante em Pune, conta que seu grupo de amigos as usa porque alternam entre marati e inglês, e o teclado marati é complicado. Namratha, de Khargar, destaca que muitos sabem falar, mas não escrever em determinados idiomas. A professora Kathryn Hardy, da Universidade Ashoka, acredita que as mensagens de voz são populares em comunidades rurais e com baixa alfabetização, por não exigirem leitura ou escrita.

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A diáspora e a etiqueta

Países com grandes diásporas, como Índia e México, também adotam os áudios para manter contato com familiares no exterior, especialmente em fusos horários diferentes. Hardy, que mora na Índia, usa mensagens de voz com seus filhos para se comunicar com os avós nos EUA. Por outro lado, o colunista Rory Sutherland argumenta que a etiqueta britânica considera rude enviar áudios longos. Ele observa que o inglês é eficiente para texto, tornando a escrita mais atraente. Apesar das críticas, muitos apreciam a praticidade e a carga emocional dos áudios, como o repórter Josh Parry, que envia mensagens de até 15 minutos e espera que elas nunca desapareçam.

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