IBGE realiza 1º censo nacional da população em situação de rua
IBGE fará 1º censo nacional da população de rua

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou, nesta terça-feira (28), a realização do primeiro censo nacional da população em situação de rua. Os resultados do levantamento serão divulgados a partir de 2028, mas as abordagens iniciais começam ainda este ano, a partir de agosto, na cidade do Rio de Janeiro.

Metodologia inovadora e inclusiva

Uma nova abordagem será utilizada no censo, liderada e executada por pessoas que já viveram ou ainda vivem nas ruas. A metodologia foi lançada no Centro de Atendimento Integrado às Pessoas, no Centro do Rio, e representa um desafio para o instituto, pois se trata de uma população andarilha, sem endereço fixo.

“Nós já fizemos um primeiro teste na cidade de Niterói, que permitiu compreender que a ausência de endereço fixo não significa exclusivamente a pessoa que está na rua. Mas também alguém que durma num automóvel, por exemplo, ou que esteja em outras formas, como abrigo”, explicou o presidente do IBGE, Marcio Pochmann. “É um levantamento mais abrangente, justamente para identificar aqueles que não tenham um endereço fixo, um domicílio estabelecido previamente.”

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Parcerias e participação social

O evento contou com a presença de representantes de movimentos sociais, órgãos sociais da Prefeitura do Rio e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que contribuirá com dados já levantados pela Justiça. “Já temos alguns dados estatísticos catalogados e uma realidade. São atendidos aqui atrás, 200 pessoas por dia, mais à frente tem o restaurante popular. E aqui é o local onde as pessoas podem tirar seus documentos”, afirmou o desembargador Marco Aurélio Bezerra de Melo. “O que se quer é um diagnóstico, para que tenhamos prognósticos com as políticas públicas para resgatar a cidadania dessas pessoas”, acrescentou.

Abordagens-testes e equipe capacitada

O censo da população em situação de rua só começa oficialmente em 2028, mas, a partir de agosto, equipes do IBGE iniciam abordagens-testes pelas ruas do Rio. Junto com eles, estarão pessoas que já viveram ou que ainda vivem nas ruas. A proposta é aproximar e lançar um olhar de cuidado e empatia para que a pesquisa contribua com políticas públicas mais efetivas.

Os dados mais recentes da Prefeitura do Rio, de 2024, apontam que a cidade tem 8.195 pessoas em situação de rua.

Importância do censo para a visibilidade

Para Flávio Lino, secretário-executivo do Movimento Nacional da População de Rua do RJ, que viveu por 4 anos em situação de vulnerabilidade, a ampliação do censo é fundamental. “A sociedade precisa saber quem são essas pessoas que estão nas ruas, o que elas estão precisando, quais são as políticas que têm acessíveis para elas e como elas conseguem acessar. A gente precisa saber que essas pessoas têm CPF, nome, sobrenome, votam. E onde elas estão?”, disse. “O IBGE vai conseguir, através desse primeiro censo nacional, trazer para a sociedade esse abrir de olhos. Para que aquelas pessoas que estão ali nas calçadas e ruas sejam invisíveis e sim visíveis.”

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