O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), veio em linha com as expectativas do mercado financeiro e marca a terceira reunião consecutiva em que a taxa permanece no mesmo patamar.
Última decisão de Powell
Esta é a última reunião de política monetária presidida por Jerome Powell, que deixará o cargo em 15 de maio, após oito anos à frente da instituição. A saída ocorre em meio a atritos com o presidente Donald Trump, que criticou publicamente o presidente do Fed em diversas ocasiões.
Impacto da guerra no Oriente Médio
A guerra no Oriente Médio e a consequente disparada do preço do petróleo continuaram a influenciar a decisão. O Fed demonstrou preocupação com o impacto sobre a inflação americana. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o barril do tipo Brent subiu mais de 60%, atingindo US$ 118,70.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) destacou que a inflação "está elevada, refletindo, em parte, o recente aumento nos preços globais de energia". O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, é apontado como fator central da alta.
Efeitos sobre o Brasil
A política de juros nos EUA tem reflexos diretos no Brasil. Com as taxas americanas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar impactos sobre o câmbio. O fortalecimento do dólar tende a desvalorizar o real e aumentar a inflação doméstica.
Os juros elevados nos EUA mantêm os rendimentos das Treasuries atrativos, direcionando investimentos para o mercado americano e reduzindo o fluxo de capital para países emergentes como o Brasil.
Próximos passos no Fed
A expectativa é que o economista Kevin Warsh, indicado por Trump, assuma a presidência do Fed na próxima reunião, marcada para junho. Trump também busca nomear aliados para a diretoria da instituição, o que poderia ampliar sua influência sobre as decisões de juros.



