Indígena desaparece após sair para caçar no interior do Acre; buscas são intensificadas
Moisés Melo Barbosa Kaxinawá, um jovem indígena de 24 anos, está desaparecido desde a última quarta-feira, 8 de maio, após sair sozinho para caçar nas proximidades da Aldeia Bari, uma comunidade Huni Kuin localizada na cidade de Jordão, no interior do Acre. O Corpo de Bombeiros iniciou oficialmente as buscas pelo jovem nesta terça-feira, 14 de maio, após condições climáticas adversas terem atrasado a operação.
Detalhes do desaparecimento e início das buscas
Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros de Cruzeiro do Sul, major Josadac Cavalcante, familiares relataram que Moisés saiu da aldeia levando uma espingarda, um facão e um isqueiro, mas não retornou como planejado. O pai do jovem informou que Moisés tem costume de andar na floresta e nunca havia se perdido anteriormente. Ele partiu para a caçada às 7 horas da manhã da quarta-feira e pretendia retornar por volta do meio-dia do mesmo dia, o que não ocorreu.
Os bombeiros foram comunicados do caso no sábado, 11 de maio, porém, o mau tempo na região impediu a decolagem do voo que transportaria os agentes até a localidade. Inicialmente, o caso havia sido atendido pelos bombeiros de Tarauacá, mas foi repassado para os agentes de Cruzeiro do Sul devido a outra operação em andamento, envolvendo o desaparecimento de um adolescente que caiu em um rio em Jordão.
Operação de busca e estratégias adotadas
As buscas começaram pelos arredores da aldeia, com uma guarnição composta por três militares decolando de helicóptero para o local, que fica a cerca de uma hora de distância de Cruzeiro do Sul. O sargento Adenilson Costa, comandante da guarnição, explicou que as equipes contam com o apoio crucial de moradores da região, que conhecem os locais conhecidos como tapiri, abrigos usados por caçadores, para procurar vestígios de Moisés.
O major Cavalcante destacou que o objetivo é traçar uma possível rota que o homem pode ter utilizado, focando especialmente nos igarapés, pois se ele descer por esses cursos d'água, poderá chegar a uma comunidade. "As buscas são feitas sobretudo pelos igarapés, pois se ele sair descendo, chegará a uma comunidade", pontuou o comandante, enfatizando a importância dessa estratégia na densa floresta acreana.
Contexto e preocupações locais
Este desaparecimento ocorre em um contexto onde casos similares têm chamado atenção no Acre, como o de um adolescente indígena que sobreviveu 11 dias perdido na floresta à base de frutas, e outro adolescente cujo corpo foi encontrado após desaparecer ao cair em um rio. A comunidade Huni Kuin e autoridades estão mobilizadas, esperando por um desfecho positivo para as buscas por Moisés, cuja experiência na mata é um fator que pode favorecer sua localização.



