CPI do Crime Organizado mira ministros do Supremo Tribunal Federal em relatório polêmico
O relator da CPI do crime organizado, senador Alessandro Vieira, apresentou nesta terça-feira um parecer que propõe o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República por crime de responsabilidade no caso do Banco Master. O documento, que está sendo lido no momento, pode ser votado ainda hoje pelos membros da comissão parlamentar de inquérito.
Mudanças na composição da CPI ampliam tensão política
Com a ajuda do Centrão, o Partido dos Trabalhadores conseguiu duas cadeiras na comissão, substituindo senadores que se opunham ao Supremo por parlamentares governistas. Essa alteração na composição da CPI aumenta significativamente as chances de o parecer do relator ser derrotado durante a votação, uma vez que os novos membros teriam maior disposição para blindar os magistrados do STF.
O indiciamento proposto pelo senador Alessandro Vieira atinge diretamente os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A medida não foi bem recebida pela Corte Suprema, que já manifestou preocupação com as acusações.
Reação do STF e pesquisa de opinião sobre os ministros
O ministro Dias Toffoli saiu em defesa do Supremo Tribunal Federal e mencionou a possibilidade de cassação eleitoral para quem ataca os poderes constituídos. Enquanto isso, uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha revelou a avaliação que a população brasileira tem de cada um dos ministros do STF.
Segundo o levantamento, Alexandre de Moraes possui a pior avaliação entre os ministros, enquanto Cármen Lúcia, única mulher na Corte, recebeu a melhor avaliação. O estudo também mediu o nível de reconhecimento dos magistrados pela sociedade brasileira.
- Alexandre de Moraes é conhecido por 89% dos entrevistados
- Cármen Lúcia aparece em segundo lugar no reconhecimento
- Gilmar Mendes, Edson Fachin e Dias Toffoli completam os cinco mais conhecidos
- Os ministros menos conhecidos são Nunes Marques e Cristiano Zanin
Outros desenvolvimentos no Judiciário brasileiro
Paralelamente às discussões na CPI, o ministro Nunes Marques, do STF, determinou a abertura de inquérito contra Marco Buzzi, ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça, para apurar suspeitas de assédio sexual. O caso foi revelado pela coluna Radar da revista VEJA.
No Superior Tribunal de Justiça, os ministros elegeram nesta terça-feira Luis Felipe Salomão como novo presidente da Corte, com Mauro Campbell Marques como vice-presidente. A posse está prevista para agosto, seguindo a tradição do tribunal de respeitar a ordem de antiguidade para os cargos. O atual presidente, Herman Benjamin, permanecerá no cargo até a transição.
Caso internacional: prisão de ex-deputado nos Estados Unidos
A Justiça dos Estados Unidos deve decidir nos próximos dias o futuro do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, preso nesta segunda-feira por agentes do Serviço de Imigração e Controle em Orlando, na Flórida. O governo americano divulgou uma imagem do brasileiro após a prisão, conhecida como "mugshot", tirada nas dependências do ICE da Flórida.
O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência viajou para os Estados Unidos com a intenção de evitar a prisão no Brasil após ser condenado pelo STF no processo de tentativa de golpe. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o caso nesta quarta-feira, defendendo que Ramagem seja mandado de volta ao Brasil para cumprir a pena.
Cenário internacional e perspectivas econômicas
Na mesma entrevista, o presidente Lula voltou a criticar o presidente dos Estados Unidos pela guerra no Irã, afirmando que Donald Trump faz um "jogo" para o povo americano. O presidente norte-americano, por sua vez, sugeriu que a próxima rodada de negociações sobre um possível cessar-fogo com o Irã pode acontecer "nos próximos dois dias".
O Fundo Monetário Internacional elevou a perspectiva de crescimento do Brasil este ano, citando um pequeno impacto positivo da guerra no Oriente Médio devido à posição do país como exportador de petróleo. No entanto, para o mundo, o cenário para 2027 piorou, segundo relatório divulgado nesta terça-feira.
Previsões climáticas preocupantes para 2027
Novas projeções do Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo apontam para a possibilidade de formação de um "super El Niño" entre o fim de 2026 e o início de 2027. O fenômeno tem potencial para se tornar o mais intenso em cerca de 140 anos, com aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical em níveis raramente observados.
Caso o cenário se confirme, os efeitos devem ser amplos e desiguais entre regiões:
- Aumento do risco de secas severas na América Central, África e partes da Ásia e da Oceania
- Chuvas intensas e enchentes em áreas próximas à linha do Equador, como Peru e Equador
- No Brasil, tendência de estiagem no Nordeste e volumes acima da média no Sul
O fenômeno El Niño ocorre quando a temperatura da superfície do oceano sobe ao menos 0,5°C acima da média, podendo causar impactos significativos nos padrões climáticos globais.



