Datafolha: 70% dos brasileiros rejeitam guerra EUA-Israel contra Irã; mulheres são mais contrárias
70% dos brasileiros rejeitam guerra EUA-Israel contra Irã, diz Datafolha

Pesquisa Datafolha revela rejeição majoritária à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã

Uma pesquisa Datafolha realizada entre terça-feira (7) e quinta-feira (9) de maio de 2026 mostra que a maioria esmagadora dos brasileiros se posiciona contra a guerra que Estados Unidos e Israel lançaram contra o Irã. Segundo o levantamento, 70% dos entrevistados se declaram contrários ao conflito, enquanto apenas 20% o aprovam. Outros 7% afirmam não saber e 3% são indiferentes ao tema. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Alto conhecimento e percepção homogênea sobre o conflito

O grau de conhecimento sobre a crise no Oriente Médio é extremamente elevado entre a população brasileira, com 94% dos ouvidos declarando ter ouvido falar sobre o assunto. De maneira geral, a opinião dos entrevistados pelo instituto é bastante homogênea em relação à guerra e seus possíveis impactos. No entanto, uma disparidade significativa chama atenção: os homens demonstram ser mais favoráveis ao conflito do que as mulheres.

Conforme os dados do Datafolha, o apoio masculino chega a 29%, enquanto 63% dos homens desaprovam a guerra. Já entre as mulheres, a rejeição atinge impressionantes 78%, com apenas 12% de menções favoráveis. Ambos os grupos apresentam uma margem de erro de três pontos percentuais. Além das mulheres, os grupos com menor apoio registrado à guerra são os menos instruídos, com apenas 13% de aprovação, e os mais pobres, com 16%.

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Perfil dos que mais apoiam e percepção dos impactos

Por outro lado, aprovam mais o conflito aqueles que possuem curso superior (26%), os evangélicos (29%) e os mais ricos – 30% entre quem ganha de cinco a dez salários mínimos e 34% acima dessa faixa. A percepção sobre o impacto do embate no cotidiano dos brasileiros é ampla e profunda. Impressionantes 92% dos entrevistados afirmam que a crise influencia diretamente os preços dos alimentos, enquanto apenas 6% descartam este efeito.

Para 87% da população, a economia como um todo é afetada pela guerra, e 9% não veem qualquer consequência. Segundo 84% dos ouvidos, o Brasil sofrerá os efeitos da crise, contra 12% que não acreditam em problemas futuros. O principal evento político do ano no país, as eleições gerais de outubro, também será impactada na opinião de 75% dos brasileiros, com 20% discordando dessa visão.

Impactos no mercado energético e medidas governamentais

Um dos principais impactos da guerra ocorre sobre o mercado de energia, que viu preços de petróleo e gás dispararem devido ao virtual fechamento do Estreito de Hormuz – via que concentra 20% dessas commodities no mundo. Controlado pelo Irã e objeto de disputa direta com o ex-presidente americano Donald Trump, que declarou bloqueio aos portos de Teerã na segunda-feira (13).

Preocupado com repercussões inflacionárias, algo particularmente sensível em ano eleitoral, o governo do presidente Lula anunciou medidas para tentar conter o aumento nos combustíveis, incluindo corte de taxas e aumento de subvenções. A crise energética representa um desafio adicional para a administração federal em meio ao cenário político polarizado.

Polarização política e divisão eleitoral

No Brasil da polarização, a crise internacional não poderia deixar de integrar o rol de contenciosos políticos. O apoio à guerra de Donald Trump e do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu entre os bolsonaristas é o dobro do registrado na média geral, segundo o Datafolha. O instituto aferiu que 40% dos eleitores declarados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pretende disputar a Presidência em outubro, são a favor do conflito, enquanto 51% são contrários.

Entre quem votou em seu pai, Jair Bolsonaro, no segundo turno de 2022 contra Lula (PT), o apoio é similar: 37% favoráveis e 54% contra. Trump é o ídolo declarado do ex-presidente, que está preso por tentativa de golpe após perder a eleição. Já Netanyahu era um dos líderes mais próximos do brasileiro, dada a conexão da base evangélica bolsonarista com a defesa de Israel. Com efeito, é maior nesse segmento o apoio à guerra.

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Contraste entre eleitores de Lula e Bolsonaro

Entre aqueles que votaram em Lula em 2022 e que pretendem fazer o mesmo neste ano, a proporção de rejeição ao conflito é ainda mais acentuada: 85% são contra e apenas 7% a favor. O presidente e o senador são os líderes neste momento da corrida eleitoral. A percepção sobre a influência do conflito também muda entre seus eleitores declarados. Enquanto 59% dos que dizem votar no senador acreditam que a guerra tem muita influência sobre o Brasil, 46% dizem o mesmo entre os que apoiam a reeleição do presidente.

A pesquisa Datafolha entrevistou 2.004 pessoas com mais de 16 anos em 137 cidades brasileiras, e o trabalho está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03770/2026. Os números revelam não apenas uma divisão clara na opinião pública sobre o conflito internacional, mas também como este tema se insere nas complexas dinâmicas políticas nacionais em ano eleitoral.