Colisão de trens de alta velocidade na Espanha deixa 39 mortos e mais de 120 feridos
Tragédia ferroviária na Espanha: 39 mortos em colisão

Uma colisão catastrófica entre dois trens de alta velocidade na Espanha resultou em uma das maiores tragédias ferroviárias da Europa nas últimas oito décadas. O acidente, ocorrido no domingo, 18 de janeiro de 2026, nas proximidades da cidade de Adamuz, na província de Córdoba, deixou um saldo trágico de 39 pessoas mortas e outras 122 feridas.

O momento do impacto e o resgate

O desastre aconteceu quando os últimos vagões do trem Iryo 6189, que seguia de Málaga para Madri, descarrilaram e invadiram a via utilizada por uma locomotiva da estatal Renfe, que trafegava em sentido oposto. A colisão foi violenta e ocorreu cerca de 20 segundos após o descarrilamento, um intervalo considerado muito curto para que o freio de emergência fosse acionado.

Imagens aéreas divulgadas pela Guarda Civil espanhola mostram a dimensão da devastação, com parte de uma locomotiva tombada fora dos trilhos. Vídeos feitos por passageiros e compartilhados nas redes sociais registram o caos e o desespero no local, com pessoas tentando sair pelas janelas enquanto as equipes de emergência iniciaram os trabalhos de resgate.

Uma sobrevivente identificada como Ana relatou à agência Reuters os momentos de terror. “O trem inclinou para um lado, então tudo ficou escuro. E tudo que ouvi foram gritos”, contou ela, que estava no trem da Iryo. Ana foi retirada dos destroços por outros passageiros e descreveu a angústia de presenciar feridos graves sabendo que pouco podia fazer para ajudá-los.

Investigação aponta para falha na infraestrutura

As autoridades espanholas iniciaram uma investigação aprofundada para determinar as causas exatas do acidente. Em declarações à rádio Cadena Ser, o presidente da Renfe, Álvaro Fernandez Heredia, afirmou que o erro humano está "praticamente descartado" como causa principal. Ele descreveu o episódio como ocorrido em "condições estranhas".

Uma análise feita pela Reuters com base em publicações da rede ferroviária Adif na plataforma X (antigo Twitter) revela um histórico preocupante. A estação de Adamuz, próxima ao local do acidente, registrou pelo menos dez episódios de atrasos na linha Madri-Andaluzia desde 2022, devido a problemas que iam desde falhas na sinalização até questões nas linhas de energia.

Entre os detalhes técnicos investigados está o fato de a locomotiva da Iryo ter perdido uma roda, que ainda não foi localizada pelas equipes no local.

Balanço da tragédia e reações

O acidente mobilizou um grande aparato de emergência. De acordo com os serviços de resgate, todos os sobreviventes foram retirados dos vagões. Do total de 122 feridos, 48 permanecem hospitalizados e doze estão em estado grave, internados em unidades de terapia intensiva.

O trem da Renfe envolvido na colisão transportava cerca de 100 passageiros e seguia para a cidade de Huelva a uma velocidade de aproximadamente 200 km/h. Já o trem da Iryo, que partiu de Málaga com destino a Madri, levava mais de 300 pessoas e trafegava a cerca de 110 km/h no momento do descarrilamento.

Em resposta à tragédia, a Adif, administradora da infraestrutura ferroviária, suspendeu imediatamente o serviço de alta velocidade entre Madri e a região da Andaluzia. Este é o acidente ferroviário mais letal na Espanha desde 2013, quando 80 pessoas morreram no descarrilamento de um trem em Santiago de Compostela.

O Ministério dos Transportes do país informou que o inquérito sobre as causas do acidente deve ser concluído em menos de um mês, na esperança de que as respostas possam prevenir futuras catástrofes.