Cearenses presos em Dubai após cancelamento de voo devido a ataques do Irã
Um grupo composto por 11 cearenses e um pernambucano continua hospedado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, sem qualquer previsão de retorno ao Brasil. O voo que os traria de volta foi cancelado minutos antes do embarque no último sábado, 28 de setembro, após os ataques do Irã em retaliação às ofensivas dos Estados Unidos e Israel. A situação se mantém incerta, com os viajantes aguardando informações sobre a reabertura do espaço aéreo para poderem finalmente retornar.
Angústia e incerteza no grupo
O empresário Vinícius Linhares, um dos integrantes do grupo, explicou ao g1 que a embaixada do Brasil nos Emirados Árabes orientou todos a não deixarem o hotel, permanecendo em local seguro. A companhia aérea tem prestado suporte essencial com alimentação e estadia durante esse período de espera forçada. "A gente está angustiado porque a gente não tem nenhuma perspectiva de voltar. Eu soube também que tem outros cearenses em Abu Dhabi, porém, na mesma situação", relatou Vinícius, destacando a frustração coletiva.
Nesta segunda-feira, 2 de outubro, segundo dia de estadia após o cancelamento, ele afirmou que não ouviu novos estrondos ou viu drones sendo interceptados na região, o que traz um alívio momentâneo. Outro cearense no grupo, o empresário André Bessa, confirmou que não houve atualizações até agora sobre a possibilidade de retorno, mantendo todos em suspense.
Contexto dos ataques e orientações do Itamaraty
Os ataques ocorreram após um ataque coordenado dos Estados Unidos e Israel contra o Irã no sábado, 28 de setembro. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra o território israelense, com explosões também sendo ouvidas em países com bases americanas, incluindo os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque e Jordânia.
Desde então, o Ministério das Relações Exteriores tem orientado brasileiros em países afetados a:
- Irem para abrigos próximos durante ataques ou bombardeios.
- Só saírem se houver condições de segurança comprovadas.
- Acionarem os consulados em situações de emergência ou risco à vida para atuação imediata.
Momento de caos no aeroporto
O grupo de 12 pessoas, formado por amigos e familiares, chegou ao aeroporto de Dubai por volta das 10h da manhã do sábado, horário local, para um voo previsto para as 14h30. Eles embarcariam para Lisboa e, de lá, retornariam a Fortaleza. Menos de uma hora antes da decolagem, receberam a informação de que o voo estava cancelado e que teriam que permanecer na cidade por tempo indeterminado.
Com o cancelamento, o grupo precisou passar novamente pela imigração, como se estivesse chegando ao país, e buscar as malas despachadas. Eles passaram cerca de 12 horas no aeroporto tentando resolver a situação, com poucas informações sobre o que estava acontecendo. Após metade de um dia no aeroporto, foram encaminhados para um hotel em Dubai.
"Durante a saída do aeroporto, foi que a gente tomou um grande susto. A gente escutou um estrondo e, nesse estrondo, depois, quando a gente saiu de lá, foi quando a gente chegou no hotel, a gente soube que acabou ferindo algumas pessoas do aeroporto, quatro trabalhadores", explicou Vinícius Linhares no domingo, 1º de outubro.
Evacuação e momentos de tensão
André Bessa relatou que cerca de 20 mil pessoas foram evacuadas do aeroporto de Dubai após o fechamento das vias aéreas, em momentos de caos e tensão entre passageiros. No caminho para o hotel disponibilizado pela companhia aérea, ele afirmou ter visto mísseis e drones sendo interceptados, aumentando o medo.
Ao chegar ao hotel, o grupo viveu mais um momento assustador, após receber um alerta de possibilidade de bombardeio na região. "Nessa hora a gente se desesperou, teve um caos aqui dentro do hotel. A gente estava no processo de check-in, e a gente buscou ir para o subsolo, acabou que a gente não foi liberado, pelos funcionários do hotel", lembrou o empresário. No entanto, ele disse que, apesar do susto, não foi realmente necessário procurar abrigo, mas a experiência deixou marcas.
A situação permanece em aberto, com os cearenses e o pernambucano aguardando notícias que possam finalmente permitir seu retorno seguro ao Brasil, enquanto o conflito internacional continua a impactar viajantes inocentes.



