Explosão em condomínio de Gravataí completa um mês com moradora gravemente ferida
Nesta quinta-feira (22), completou-se exatamente um mês desde a explosão devastadora que destruiu completamente um apartamento no condomínio Morada do Vale, localizado em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O incidente, ocorrido poucos dias antes do Natal, deixou a moradora Eduarda Silveira Guerreiro, de apenas 26 anos, com aproximadamente 50% do corpo queimado e em estado grave.
Vítima segue hospitalizada e relata dias de superação
Atualmente, Eduarda permanece internada no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, onde está recebendo tratamentos especializados para a pele e já consegue respirar sem auxílio de aparelhos. Em entrevista exclusiva, ela descreveu a experiência como uma montanha-russa emocional.
"Têm sido dias bons e dias ruins. Até hoje é bem estranho. Tivemos dias muito bons dentro do hospital, com progresso, graças a Deus. Mas também dias de muita saudade. Tiveram dias em que eu via, no rosto de quem estava comigo, o medo e o sofrimento. Mas não perdi a vontade de viver em momento algum", compartilhou a jovem.
Suspeita recai sobre produto inflamável utilizado em sofá
De acordo com informações da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros, a principal linha de investigação aponta para um produto "extremamente inflamável" utilizado durante um serviço de impermeabilização em um sofá. Após a conclusão do trabalho, Eduarda teria acionado o acendedor do fogão, o que desencadeou a explosão catastrófica.
"Eu simplesmente apertei o acendedor do fogão e tudo explodiu em mim. Foi um momento terrível. Eu fiquei presa, sem conseguir sair, porque a tampa do fogão estava aberta", relatou a vítima, detalhando os momentos de pânico.
Família aguarda alta sem previsão enquanto apartamento é destruído
O marido de Eduarda, Dilson Guerreiro, expressou alívio após a paciente ser submetida a um exame respiratório na quarta-feira (21). "Estamos um pouco mais aliviados. Foi a primeira vez, depois de 30 dias, que nosso filho pôde vê-la. Ela está evoluindo, já foi um progresso espetacular", afirmou ele.
A família aguarda ansiosamente pela alta hospitalar, embora ainda não exista uma data definida. "Não temos uma data certa, mas ela está melhorando. O pessoal do hospital comenta que é um milagre", complementou Dilson.
O apartamento do casal, situado na Torre 22 do condomínio, foi totalmente destruído pela explosão, que também afetou outras 19 unidades residenciais. A residência localizada acima do imóvel de Eduarda e Dilson só foi liberada para os moradores no dia 5 de janeiro.
Investigação aguarda laudo pericial para confirmar causas
A Polícia Civil ainda não ouviu representantes da empresa responsável pela venda do sofá e pelo serviço de impermeabilização. O delegado André Anicet, que está à frente do inquérito, aguarda o laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) para confirmar a causa exata da explosão.
O documento técnico deve detalhar minuciosamente:
- A composição química do produto utilizado
- Sua volatilidade e características inflamáveis
- As circunstâncias específicas que levaram ao incêndio seguido de explosão
Além disso, a investigação pretende esclarecer se a moradora recebeu orientações adequadas sobre os riscos envolvidos e o tempo necessário de espera antes de utilizar qualquer fonte de fogo ou faísca no ambiente.
Reflexão emocional da vítima sobre o trauma
Eduarda demonstra uma notável resiliência emocional diante da tragédia. "Eu não carrego raiva nenhuma dentro de mim. Acho que, se aconteceu comigo, talvez fosse porque realmente deveria ter acontecido comigo. Deus sempre tem um propósito maior na minha vida. Mas eu carrego, sim, uma mágoa dos dias que perdi longe da minha família, longe do meu filho. A dor não é externa, é interna. A dor é no coração", finalizou a jovem, expressando a complexidade de seus sentimentos durante o processo de recuperação.
A reportagem da RBS TV tentou contato com a empresa mencionada na investigação, mas até o momento não obteve nenhum retorno ou posicionamento oficial sobre o caso.