Kleber Mendonça Filho celebra indicações ao Oscar e anuncia novo projeto no Recife dos anos 30
O diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho viveu um momento histórico para o cinema nacional nesta semana. Seu filme "O Agente Secreto", ambientado no Recife dos anos 1970, conquistou quatro indicações ao Oscar 2026, igualando o recorde brasileiro estabelecido por "Cidade de Deus" em 2004. A produção disputa nas categorias de Melhor Filme, Filme Internacional, Direção de Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura no papel principal.
Atmosfera de Copa do Mundo em casa
Em entrevista exclusiva à TV Globo, Kleber Mendonça Filho descreveu a emoção de acompanhar o anúncio dos indicados. "Senti uma atmosfera de Copa do Mundo aqui em casa porque vieram uns amigos e a gente estava vendo a transmissão ao vivo do anúncio dos indicados e, quando foi mencionado 'O Agente Secreto' a primeira vez, houve uma sensação de gol. E isso é impagável, foi muito bom", declarou o cineasta, que assistiu à divulgação na quinta-feira (22) em sua residência, cercado por companheiros.
O diretor não escondeu a felicidade com o reconhecimento ao trabalho do elenco, especialmente do amigo Wagner Moura. "Estou muito feliz por Wagner Moura, que é um grande amigo e um grande ator, um grande artista. Estou feliz pela indicação do primeiro prêmio que a Academia vai dar para o elenco, porque eu acho que todo filme precisa, não é obrigatório, mas precisa ter a identidade do país que fez o filme. E eu acho que 'O Agente Secreto', com mais de 60 personagens, tem as caras do Brasil", afirmou Mendonça Filho.
Próximo filme mergulhará no Recife dos anos 30
Conhecido por retratar a capital pernambucana em sua filmografia, Kleber Mendonça Filho já vislumbra o futuro. O diretor revelou que está "paquerando uma ideia" para seu próximo projeto, que certamente se passará no Recife, mas desta vez na década de 1930. "Estou já paquerando uma ideia para o próximo filme e ele se passa no Recife, com certeza. Se passa no Recife dos anos 30. Mas é muito cedo para falar desse projeto porque eu nem comecei a escrever ainda", contou, mantendo um ar de mistério sobre os detalhes.
A mudança do universo dos anos 1970, período de "O Agente Secreto", para os anos 30 representará um novo desafio artístico e técnico. O cineasta adiantou que o trabalho de figurino e reconstituição histórica será fundamental para capturar a essência da época. "Acho que cada filme é um desafio, e o desafio precisa ser realizável. (...) E eu acho que os anos 30, antes da guerra estourar na Europa, são um momento muito interessante de análise, de drama, de contar uma história que se passa no Recife, que é uma cidade de porto, uma cidade geograficamente estratégica, e uma cidade onde tinha já muitos estrangeiros tentando dominar essa área que é estratégica, os EUA, os alemãs, então é tudo muita intriga, muito suspenso, e eu quero muito escrever esse filme", explicou.
Contexto e legado de 'O Agente Secreto'
O filme indicado ao Oscar se passa majoritariamente no Recife de 1977, acompanhando a jornada de Marcelo, um professor interpretado por Wagner Moura que foge de ameaças em São Paulo para tentar reencontrar o filho na capital pernambucana. A produção, que contou com cenas envolvendo até 200 figurantes e 169 veículos antigos, já havia chamado atenção pela riqueza de detalhes e pela representação autêntica do Brasil.
Além das celebrações no meio cinematográfico, o sucesso de "O Agente Secreto" uniu até mesmo tradicionais rivais regionais, com Pernambuco e Bahia deixando de lado diferenças para comemorar as indicações. O fenômeno em torno do filme ressalta a força do cinema nacional e a capacidade de Kleber Mendonça Filho em transformar histórias locais em narrativas universais, agora reconhecidas internacionalmente.
Enquanto aguarda a cerimônia do Oscar, o diretor já projeta seu próximo passo, prometendo mergulhar em um Recife cheio de intrigas e suspense dos anos 1930, consolidando ainda mais sua marca autoral e seu amor pela cidade que tanto retrata em sua obra.