Esquiadores formam coração em homenagem às 40 vítimas de incêndio na Suíça
Coração na neve homenageia vítimas de incêndio fatal na Suíça

Uma imagem de solidariedade e luto tomou conta das pistas de esqui de Crans-Montana, na Suíça, nesta semana. Dezenas de praticantes do esporte se reuniram para formar um grande coração na neve, em uma homenagem comovente às vítimas do incêndio fatal que abalou a estação de esqui no último dia 1º de janeiro.

O ato simbólico nas montanhas

O vídeo do tributo, registrado pelas lentes do escritório de turismo local e divulgado na segunda-feira, 5 de janeiro, rapidamente viralizou nas redes sociais. A formação humana, cuidadosamente organizada no branco imaculado da paisagem alpina, simboliza não apenas a dor pela perda, mas também o apoio à comunidade local e aos socorristas. O gesto coletivo buscou honrar a memória dos que morreram, os feridos e as equipes de resgate e médicas que atuaram na tragédia do bar Le Constellation.

A comoção internacional foi tamanha que diversas estações de esqui suíças suspenderam temporariamente suas atividades em sinal de luto. Em Crans-Montana, um memorial improvisado foi criado, coberto por flores e bilhetes de solidariedade. Uma cerimônia oficial está marcada para a próxima sexta-feira, 9 de janeiro.

Os detalhes da tragédia e as falhas na segurança

O incêndio, que começou na noite de Ano Novo, teve consequências devastadoras. O balanço oficial confirmou 40 mortos e 116 feridos. A identificação das vítimas foi um processo doloroso e lento, devido à gravidade das queimaduras, e os nomes só foram divulgados na segunda-feira. Entre os falecidos, estão 21 suíços e 18 estrangeiros, sendo nove franceses. Um dado chocante revela que metade das vítimas fatais era menor de idade, com idades entre 14 e 39 anos.

As investigações da Procuradoria Suíça, que instaurou um inquérito criminal contra os gerentes do bar, apontaram que o fogo teve origem em velas de faíscas colocadas em garrafas de champanhe no subsolo do estabelecimento. Sobreviventes relataram que as chamas se alastraram com velocidade assustadora, gerando calor intenso e densas nuvens de fumaça que tornaram a fuga caótica.

Uma falha crítica agravou a tragédia: a evacuação foi extremamente dificultada por uma escada de acesso estreita, que permitia a passagem de apenas duas pessoas por vez. Para completar o cenário de negligência, as autoridades municipais fizeram uma admissão grave.

Fiscalização inexistente por cinco anos

Em coletiva de imprensa, o prefeito de Crans-Montana, Nicolas Féraud, declarou com pesar que não foram realizadas inspeções periódicas de segurança contra incêndio no bar Le Constellation entre os anos de 2020 e 2025. "Lamentamos isso profundamente", afirmou Féraud, que se disse incapaz de explicar imediatamente o motivo de tal omissão por um período tão extenso.

Esta revelação coloca um holoforte sobre a responsabilidade do poder público na prevenção de desastres deste tipo e deve ser um ponto central no inquérito criminal em andamento. A tragédia de Crans-Montana vai além de um acidente isolado, expondo uma cadeia de falhas que culminou em uma das maiores perdas de vida em um incêndio no país nos últimos anos.

O coração formado na neve pelos esquiadores é, portanto, mais do que uma homenagem. É um símbolo silencioso e poderoso que questiona, lembra e exige que tragédias como esta, marcadas pela perda de jovens vidas e por falhas evitáveis, nunca mais se repitam.