Terceira vítima fatal é confirmada em naufrágio que choca Manaus
Sob forte comoção, familiares e amigos se despediram nesta terça-feira (17) do cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos, terceira vítima confirmada do naufrágio da lancha de transporte Lima de Abreu XV. O acidente ocorreu na sexta-feira (13) nas proximidades do Encontro das Águas, quando a embarcação da empresa Lima de Abreu Navegações naufragou após sair de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte.
Números da tragédia e clima de revolta
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, 71 pessoas foram resgatadas com vida, mas com a confirmação da morte de Fernando Grandêz, o número de vítimas fatais chegou a três. Cinco pessoas seguem desaparecidas, mantendo as famílias em angústia constante.
Durante o velório, o clima foi marcado por dor e revolta. Familiares das vítimas pediram responsabilização pelo acidente e questionaram publicamente as condições de segurança da embarcação. "É muito perceptível a irresponsabilidade de como aconteceu a tragédia. Se eu estou conduzindo vidas, se estou conduzindo um veículo, uma embarcação, eu tenho que tomar todas as providências e preocupações", afirmou o tio de Fernando, Almeida, destacando a falta de uso obrigatório de coletes salva-vidas.
Quem era Fernando Grandêz
Ligado à música gospel, Fernando era cantor e participava regularmente de eventos religiosos realizados em Manaus. Ele compartilhava apresentações nas redes sociais, quase sempre acompanhadas de legendas onde expressava sua fé profunda. O cantor também publicava fotos de viagens, tendo visitado nos últimos anos cidades como Rio de Janeiro, Blumenau e Gramado.
Em um de seus posts mais reveladores, Fernando escreveu: "Por isso que eu sempre digo: aproveita a vida. Quer viajar? viaja. Quer dizer um 'eu te amo'? Diz. Não deixa pra depois. Então, quanto dá tempo, vamos viver", mensagem que agora ressoa com triste ironia entre seus seguidores.
Buscas complexas no Encontro das Águas
Equipes do Corpo de Bombeiros e Marinha do Brasil seguem procurando pelos cinco desaparecidos do naufrágio. A área da embarcação foi localizada a cerca de 50 metros de profundidade, em operação que envolve:
- Mergulhadores especializados
- Múltiplas embarcações de apoio
- Drones e um helicóptero
- Três sonares de varredura
- Equipes de Itacoatiara e Parintins
Segundo os bombeiros, as buscas são consideradas extremamente complexas devido às fortes correntes e às mudanças constantes de direção no encontro entre os rios Negro e Solimões. "Fatores hidrodinâmicos do Encontro das Águas interferem muito nas operações de busca. Nós temos mudanças de direcionamento das correntes de arrasto, principalmente do Rio Solimões, que tem uma correnteza mais forte", explicou o porta-voz Muniz.
Reforços e detalhes do acidente
O Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) do Estado de São Paulo enviou seis militares, incluindo um capitão, para reforçar os trabalhos no local. O naufrágio ocorreu por volta das 12h30 de sexta-feira (13), com vídeos obtidos pela Rede Amazônica mostrando várias pessoas na água, inclusive crianças, em cima de botes salva-vidas enquanto aguardavam socorro.
Uma passageira que ficou à deriva relatou em vídeo que havia alertado o condutor da lancha para diminuir a velocidade devido ao banzeiro (ondas turbulentas características da região). No registro, gravado enquanto ela estava à deriva, a mulher afirma claramente: "falei para ir devagar".
Responsabilização e investigações
O comandante da lancha, identificado como José Pedro da Silva Gama, de 42 anos, foi preso em flagrante no porto da capital, onde se encontrava com outros sobreviventes. Após o pagamento de fiança, foi colocado em liberdade e responderá por homicídio culposo. A Justiça já solicitou prisão preventiva do piloto.
A Marinha do Brasil informou que mantém equipes nas buscas pelo naufrágio, empregando:
- Uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Noroeste
- Uma embarcação do 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas
- Duas lanchas da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental
As buscas continuam tanto na área do acidente quanto nas margens dos rios, com apoio de embarcações e mergulhadores. A corporação coletou dados detalhados dos sobreviventes para ajudar tanto nas buscas quanto na apuração completa do caso, que promete revelar mais detalhes sobre as circunstâncias desta tragédia que abalou o Amazonas.



