No último final de semana, um grave acidente aéreo envolvendo um avião monomotor mobilizou equipes de resgate e gerou comoção em Belo Horizonte. A aeronave, que havia decolado do Aeroporto da Pampulha, perdeu altitude e colidiu contra um prédio residencial no bairro Silveira, na Região Nordeste da capital mineira. Apesar do impacto violento e do fato de o avião estar abastecido com gasolina de aviação, um combustível altamente inflamável, não houve explosão, o que surpreendeu muitos e levantou questionamentos sobre os motivos.
Resposta imediata das equipes de emergência
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a rápida atuação foi fundamental para evitar uma tragédia ainda maior. Imediatamente após o acidente, a área foi isolada e uma equipe especializada em produtos químicos e perigosos foi acionada. O major Johny Franco, comandante do 3º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Belo Horizonte, explicou que foi realizado um processo de inertização do combustível. Esse procedimento consiste na adição de um gás inerte, como nitrogênio ou dióxido de carbono, para reduzir a concentração de oxigênio no ambiente, impedindo assim a combustão. “Nós adotamos a medida de trazer para a cena uma equipe especializada para fazer a devida inertização desse material combustível com líquido gerador de espuma, que impede uma combustão ou agravamento da cena numa eventual explosão”, detalhou o major.
Condições para combustão não estavam presentes
Especialistas em aeronáutica também apontam que, para ocorrer uma explosão, é necessário que três elementos estejam simultaneamente presentes: combustível, oxigênio e uma fonte de ignição. No caso desse acidente, esses fatores não se alinharam na proporção correta. O professor Elizeu Alcântara, do curso de aeronáutica da Universidade Fumec, explicou: “Provavelmente, esses três fatores não se alinharam para que a gente viesse a ter a combustão. Pode ser uma fagulha, mas é necessário que combustível, oxigênio e ignição estejam presentes na proporção correta, o que não é comum em acidentes.”
A aeronave envolvida era um EMB-721C “Sertanejo”, fabricado pela Neiva, com capacidade para aproximadamente 291 litros de gasolina de aviação. Os tanques de combustível são integrados às asas, uma configuração padrão nesse tipo de aeronave para manter o equilíbrio durante o voo. O avião decolou do Aeroporto da Pampulha às 12h16 e caiu três minutos depois, às 12h19, atingindo a caixa de escada do prédio residencial, sem invadir nenhum apartamento.
Vítimas do acidente
Cinco pessoas estavam a bordo. O piloto, Wellington Oliveira, de 34 anos, e o passageiro Fernando Moreira Souto, de 36 anos, filho do prefeito de Jequitinhonha (MG), morreram no local. Outras três pessoas foram socorridas em estado grave ao Hospital João XXIII: o empresário Leonardo Berganholi, de 50 anos, que morreu horas depois; seu filho Arthur Schaper Berganholi, de 25 anos, que permaneceu internado em estado grave, mas estável; e Hemerson Cleiton Almeida Souto, de 53 anos, também em estado grave, porém estável. Entre os moradores do prédio, não houve feridos, e todos foram retirados em segurança pelos bombeiros.
Investigação do Cenipa
A Polícia Civil de Minas Gerais realizou os primeiros levantamentos no local, com perícia fotográfica e coleta de vídeos. A delegada Andreia Pormann afirmou que a investigação técnica ficará a cargo do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão ligado à Força Aérea Brasileira, responsável por apurar as causas do acidente. O Cenipa deverá analisar fatores como a manutenção da aeronave, as condições meteorológicas no momento do voo e possíveis falhas mecânicas ou humanas.
Detalhes do acidente
O avião monomotor, de pequeno porte, havia saído de Teófilo Otoni, pousado no Aeroporto da Pampulha e decolado novamente com destino a São Paulo. Pouco depois da decolagem, por razões ainda não esclarecidas, perdeu altitude e colidiu contra o prédio na Rua Ilacir Pereira Lima, no bairro Silveira. O impacto ocorreu na caixa de escada, sem atingir apartamentos, o que contribuiu para que não houvesse vítimas entre os moradores. A aeronave ficou destruída, e os destroços foram removidos pelas equipes de emergência.
A tragédia comoveu a região e reacendeu o debate sobre a segurança de voos com aeronaves de pequeno porte sobre áreas urbanas. Enquanto as investigações prosseguem, a população de Belo Horizonte lamenta as três mortes e torce pela recuperação dos feridos.



