Pai de criança sobrevivente em Diadema questiona leis após tragédia com motorista bêbado
Pai de sobrevivente em Diadema questiona leis após tragédia

Pai de criança sobrevivente em Diadema revela angústia e questiona leis após tragédia

Evandro Cassiano de Andrade, pai da menina Vitória Gabriela de Andrade, de 8 anos, expressa profunda dor e incerteza sobre como tratar o trauma psicológico da filha, terceira criança envolvida no atropelamento ocorrido na última sexta-feira (3) em Diadema, na Grande São Paulo. A criança, que quebrou ambas as pernas no acidente e recebeu alta hospitalar nesta segunda-feira (6), ainda não foi informada sobre a morte dos dois primos com quem brincava na calçada.

Trauma familiar e busca por justiça

"Eu perdi dois sobrinhos por imprudência de uma pessoa embriagada. Imagina a cabeça da minha filha que viu tudo, quebrou as duas pernas?", desabafa Cassiano. O pai relata que está mantendo a filha na ignorância sobre o destino dos primos, dizendo que eles permanecem hospitalizados. "Estou falando para minha filha que eles ficaram no hospital, como ela ficou", confidencia, enquanto enfrenta noites de insônia que só são superadas com medicação.

A tragédia vitimou os irmãos Izaias de Oliveira Santos, de 5 anos, e Sophya de Oliveira Santos, de 10 anos, primos de Vitória. O motorista responsável, Demóstenes Dias de Macedo, de 64 anos, admitiu ter consumido álcool antes de dirigir e foi preso em flagrante no dia do ocorrido.

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Detalhes do acidente e investigação

Novas imagens anexadas ao inquérito mostram Demóstenes saindo de sua residência já realizando manobras perigosas com o veículo. O vídeo registra o momento em que ele deixa a garagem em alta velocidade, seguido pelo estrondo da colisão contra a calçada onde as crianças brincavam. Testemunhas relataram à Polícia Civil que o motorista tentou fugir do local, mas foi contido por vizinhos até a chegada das autoridades.

Em depoimento, Demóstenes afirmou ter bebido uma lata de cerveja pela manhã, alegando estar "abalado com uma separação recente". Ele tentou justificar o acidente dizendo que se "atrapalhou com os pedais do carro" e que o acelerador teria travado, impedindo-o de frear. No entanto, exames médicos confirmaram que ele estava embriagado no momento do impacto.

Repercussão jurídica e comunitária

Após audiência de custódia no sábado (4), a prisão em flagrante foi convertida em preventiva pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Demóstenes responderá por homicídio doloso e lesão corporal dolosa, conforme informou a Secretaria da Segurança Pública. Investigadores são categóricos ao afirmar que o motorista assumiu conscientemente o risco ao dirigir sob efeito de álcool.

Cassiano questiona publicamente a eficácia das leis de trânsito: "Eu só quero saber se vai ter mudança na lei. Porque eu não vou aceitar esse cara que matou meus dois sobrinhos de novo na rua". Sua angústia reflete o sentimento da comunidade local, onde moradores realizaram uma manifestação silenciosa no sábado (5), portando cartazes que pediam justiça.

Luto e memória das vítimas

O pai das crianças falecidas compareceu ao Instituto Médico Legal de São Bernardo do Campo para a liberação dos corpos. O sepultamento está marcado para Taquarana, interior de Alagoas, cidade de origem da família. Vizinhos descrevem as crianças como alegres e dedicadas, destacando o cuidado especial que Sophya, de 10 anos, tinha com o irmão mais novo.

José Francisco da Silva, aposentado e morador do bairro, compartilha a dor coletiva: "Eram crianças que ficavam brincando aqui. Ela cuidava muito do irmãozinho, era cheio de amor. Agora, a gente só quer justiça, porque a vida deles não volta mais". A rua, descrita como tranquila e habitual local de brincadeiras infantis, transformou-se em cenário de uma tragédia que deixará marcas profundas na comunidade e na família das vítimas.

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