Linha 171 de Campinas: trajeto de 27 km vira viral por demora e voltas
Linha 171 de Campinas viraliza por trajeto de 27 km

A linha de ônibus 171 de Campinas, no interior de São Paulo, tornou-se um fenômeno nas redes sociais devido ao seu percurso extenso e demorado. São 27 quilômetros de trajeto entre o Parque Dom Pedro e o Campinas Shopping, que levam pelo menos uma hora e meia para serem percorridos. O vaivém por dezenas de ruas e avenidas gerou comentários bem-humorados de internautas, como um que disse: "Parece um labirinto, demorei uns 4 dias para fazer". Outro passageiro brincou: "Fiquei até com medo, pensei: 'Meu Deus, eu já saí de Campinas com tantas voltas que deu'".

A repercussão foi tanta que a reportagem do g1 decidiu enfrentar a viagem. Mesmo em uma tarde de segunda-feira, com trânsito menos intenso, a experiência foi longa e repleta de problemas. Logo no embarque, houve dificuldade para validar o QR Code na catraca. Ao longo do percurso, os passageiros não paravam de reclamar da demora.

Problemas durante a viagem

Durante o trajeto, a equipe flagrou um incidente: uma aposentada de 60 anos, Jussara Vaz Trevisan, teve a mão presa na porta traseira ao tentar subir no ônibus. Ela escapou de um acidente graças aos gritos dos outros passageiros para o motorista. "Travou na minha sacola. Ia largar todas minhas coisas", contou, ainda assustada. Moradora da Vila Industrial, Jussara destacou que o medo era perder o ônibus após mais de uma hora de espera. "Tem poucos carros. Faz mais de uma hora que estava esperando. Imagina se eu perdesse, que hora iria chegar em casa", reclamou.

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Atrasos constantes

Vários usuários relataram que a linha 171 costuma atrasar. Segundo a programação da Emdec, o ônibus partiu do ponto ao lado do Parque Dom Pedro com 28 minutos de atraso. O cozinheiro Maicon Jeferson, de 18 anos, afirmou que os atrasos são frequentes. A aposentada Elisabete Maria, de 67 anos, disse que a espera chega a uma hora em muitos dias. A diarista Mercedes Rodrigues, de 69 anos, reforçou que andar no 171 é encarar uma viagem longa. "Isso porque eu paro no Terminal Central. Para ir até o Campinas Shopping, Deus me livre", comentou. Ela explicou que os atrasos provocam um efeito cascata, pois depende de outra condução para chegar perto do Aeroporto de Viracopos, e o tempo perdido no 171 complica a segunda parte da viagem, especialmente na Rodovia Santos Dumont, sempre congestionada nos horários de pico.

Um verdadeiro tour por Campinas

A longa viagem do 171 inclui passagens por pelo menos 57 ruas, avenidas ou praças diferentes. É uma verdadeira excursão pela cidade. O ajudante de serviços gerais Sérgio Maria, de 61 anos, conta que só encara a linha sem dor de cabeça quando está com vontade de passear. "[A volta] é muito grande. Tem que ter uma paciência de Jó", brinca. No percurso, o passageiro passa pela região da Lagoa do Taquaral, mais arborizada, chega ao centro, cercado por prédios e carros, no trecho de trânsito mais carregado, e depois o ônibus volta a circular numa área mais residencial, como o Parque Industrial.

O que explica o tamanho da linha?

A Emdec explicou, em nota, que a linha 171 foi criada para ligar o Parque Industrial ao Jardim Guanabara e, ao longo dos anos, foi crescendo para atender novos pontos, criando um vaivém por ruas da cidade. "A linha 171 percorre, atualmente, cerca de 28 km por sentido. (...) a linha foi absorvendo, ao longo do tempo, novas demandas de deslocamento dos usuários. A partir da nova concessão do transporte público coletivo, o planejamento da Emdec é rever trajetos de linhas diametrais de longa distância, tendo como norte a otimização dos percursos e a integração com outras linhas, a partir dos terminais", diz a nota.

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Medidas para os problemas

Sobre os problemas relatados, a Emdec informou que todas as situações serão reportadas ao operador, incluindo as que envolvem o atendimento do motorista, e que a fiscalização será redobrada nos pontos iniciais e finais da linha. "A Emdec vem autuando a empresa que opera a linha 171 (Campinas Shopping / Shopping Dom Pedro) pelas situações de falta de veículos, inclusive as registradas nesta segunda (4/5), que impactam toda a programação horária programada e geram atrasos nas viagens", afirma a nota. A empresa também realiza capacitações com os motoristas sobre direção defensiva, ética, cidadania e empatia no atendimento. Em relação ao incidente com a aposentada, a Emdec recomendou que pessoas com mais de 65 anos usem o Bilhete Único Idoso e acessem pela porta dianteira para melhor observação do motorista. A gratuidade é garantida com apresentação da Carteira de Identidade, mas é importante sinalizar ao motorista a intenção de usar a porta traseira.