Ressurreição digital com IA: qualquer pessoa pode ser recriada após a morte
Ressurreição digital com IA: qualquer um pode ser recriado

Ressurreição digital com IA: qualquer pessoa pode ser recriada após a morte, alerta especialista

Imagine que, com apenas algumas fotos e vídeos curtos, alguém possa recriar sua aparência, voz e movimentos após a sua morte. Isso não é mais ficção científica: a ressureição digital, impulsionada pela inteligência artificial, já é uma realidade que preocupa não apenas celebridades, mas também pessoas comuns.

O advogado paranaense Gustavo Fortunato D'Amico, autor do livro Ressurreição Digital: Aspectos Jurídicos e Repercussões, explica que a tecnologia avançou rapidamente. “A IA analisa fotos e vídeos existentes para aprender padrões faciais e, a partir deles, gerar novas imagens ou movimentos simulados. Não exige muitos recursos: vídeos ou áudios curtos já fornecem as métricas necessárias”, afirma.

Como surgiu a ressureição digital?

Embora os primeiros estudos datem dos anos 1980, o grande marco foi em 2012, com a recriação do rapper Tupac Shakur no festival Coachella. Desde então, a tecnologia se popularizou, e casos como o de Elis Regina em um comercial da Volkswagen, no Brasil, trouxeram o debate para o público.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Qualquer um pode ser recriado

Diferentemente do que muitos pensam, a ressureição digital não é privilégio de famosos. “Qualquer pessoa pode ser recriada, e esse é um dos aspectos mais preocupantes, frequentemente ignorado”, alerta D'Amico. A imagem de pessoas comuns também pode ser usada sem autorização, especialmente em redes sociais, gerando riscos legais e emocionais para os familiares.

Quem decide sobre o uso da imagem?

No Brasil, a decisão sobre o uso da imagem de um falecido geralmente cabe à família, mas a legislação ainda é confusa. “O Código Civil regula os direitos de personalidade, mas foi pensado para o mundo analógico. Há lacunas que tornam a ressureição digital um território instável”, explica o advogado. Em outros países, as regras variam, mas a tendência é que a família tenha a palavra final.

O que fazer para se proteger?

Para artistas e pessoas comuns, a recomendação é planejar o destino da própria imagem ainda em vida. “Testamentos ou documentos específicos podem deixar claro se a pessoa permite o uso digital após a morte e de que forma”, sugere D'Amico. Isso evita disputas familiares e usos indesejados.

O futuro da ressureição digital

O especialista, que acompanha o tema desde 2016, acredita que a tecnologia se tornará cada vez mais comum, não apenas no entretenimento, mas também no cotidiano. “O desafio agora é garantir que seu uso não cause danos aos falecidos nem aos que ficam”, conclui.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar