Homens continuam ocupando vagão feminino no RJ mesmo após medida 24h
Homens ignoram vagão feminino 24h no RJ

Há pouco mais de um mês, os vagões femininos nos trens e metrôs do Rio de Janeiro passaram a funcionar 24 horas por dia. No entanto, muitos homens ainda desrespeitam a regra, e a fiscalização é insuficiente. No último domingo (26), passageiros registraram uma briga entre um homem e uma mulher no carro feminino do metrô. Seguranças foram chamados na estação Largo do Machado. Nas imagens, é possível ver pelo menos quatro homens no vagão exclusivo para mulheres.

Irregularidades frequentes

O RJ2 percorreu os vagões do Rio e constatou que o caso não foi isolado. Saindo de trem da Central do Brasil, não demoram a aparecer irregularidades. Na disputa por espaço para entrar primeiro no vagão feminino, um homem estava no meio. As câmeras também flagraram alguns sentados bem embaixo das placas de aviso. Em alguns casos, há tantos homens no vagão feminino que as passageiras se sentem constrangidas de abordá-los e temem reações violentas. Uma das situações mostradas pelo RJ2 foi em um vagão com 10 homens.

Relatos de passageiras

A estudante Camila Vitória já passou por isso. "A mulher levantou e pensei: vou lá sentar e veio um e sentou na minha frente", disse. "Não me sinto confortável de falar com eles, porque sou mulher, tô sozinha. Para acontecer alguma coisa comigo... Prefiro ficar no meu canto do que tentar resolver."

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"Na semana passada, tinham cinco homens no vagão", contou a cozinheira Inês Luis. "Eu falei: gente, vamos começar a reclamar. Ninguém queria falar." Ela disse ainda que resolveu levantar a voz sozinha e conseguiu que dois dos homens deixassem o espaço. Os outros três permaneceram e, segundo ela, nenhum guarda apareceu.

Mesmo quando as passageiras pedem para que os homens saiam, há quem discuta. Michele contou que um passageiro argumentou que no "vagão masculino" há mulheres, por isso ele poderia entrar no espaço feminino. "Aí virei pra ele e falei: ué, tem vagão feminino, não masculino. Lá é unissex, para todos."

Fiscalização insuficiente

A lei determina que a fiscalização seja feita pelas concessionárias. O passageiro que não obedecer a regra pode pagar multas que variam de R$ 287 a R$ 1.792. O RJ2 percorreu 17 estações e não presenciou nenhum fiscal atuando no vagão feminino. O desrespeito acontece mesmo em frente às autoridades. O RJ2 flagrou homens em um vagão feminino onde estavam dois policiais militares.

"Não tem fiscalização nenhuma. Pego 4h20 da manhã e está a mesma coisa", relata a gari Michele de Oliveira. "É só sorte."

Importância do vagão feminino

A cuidadora de idosos Sulamita Cardoso já passou por uma situação de assédio. "Há muito tempo atrás, tentando se encostar... Horrível", disse. "No mundo que nós vivemos, com tantas mulheres sofrendo assédio, feminicídio", ela avalia que a existência do vagão feminino "é de total importância".

Rosileia Rodrigues, que trabalha como auxiliar de serviços gerais, também passou por isso. "Muitos. E não foi um só não, foram vários." A designer Maria Barros já testemunhou uma violência. "Ele esfregando em uma mulher, a gente tentando expulsar e ele, como sempre, dono da razão." Por isso, muitas mulheres se sentem mais seguras quando não há nenhum homem por perto no transporte.

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