A Justiça de São Paulo tornou réu o influenciador digital Samuel Sant’anna, conhecido como Gato Preto, ao aceitar denúncia do Ministério Público (MP) contra ele por duas tentativas de homicídio por dolo eventual (quando se assume o risco de matar). O caso decorre de um acidente de trânsito ocorrido em 20 de agosto de 2025, quando ele dirigia seu Porsche Carrera 911 na Avenida Brigadeiro Faria Lima, Zona Oeste da capital.
Decisão judicial e medidas
A decisão foi publicada em 22 de abril pelo Tribunal de Justiça (TJ). A pedido do MP, a Justiça determinou ainda a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Gato Preto, que está proibido de dirigir qualquer veículo. Ele responde ao processo em liberdade. A Justiça concordou com o MP e autorizou a venda antecipada do Porsche, que foi apreendido após o acidente, com o objetivo de preservar o valor do veículo, avaliado em cerca de R$ 960 mil, e garantir eventual indenização às vítimas, pai e filho, que estavam no Hyundai HB20 atingido pelo carro esportivo de luxo. Os dois veículos ficaram parcialmente destruídos. Câmeras de segurança gravaram a batida.
Indenização e audiência
O MP pediu o pagamento de R$ 100 mil de indenização por danos morais e materiais a Edilson Maiorano e Ivan Maiorano, ocupantes do Hyundai. A Justiça ainda vai definir o valor da indenização. A audiência de instrução, etapa em que serão ouvidas testemunhas, vítimas e o réu, ainda não tem data marcada. Depois disso, um juiz decidirá se o acusado deve ser absolvido ou levado a júri popular, já que se trata de crime doloso contra a vida.
Outras acusações
Além das tentativas de homicídio, Gato Preto também responde por ameaça, omissão de socorro e infrações ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB), como fuga do local do acidente e dirigir sob efeito de álcool e drogas.
Defesa contesta acusação
A defesa pretende reverter a acusação de tentativa de homicídio para lesão corporal culposa. "A defesa recebe com surpresa essa aceitação da denúncia pela Justiça que o tornou réu. Tendo em vista que a defesa entende que o caso é de lesão corporal na forma culposa e passa longe de ter dolo homicida, por mais que seja dolo eventual", disse o advogado Jonata Carvalho. "A defesa se solidariza com as vítimas desse acidente e buscará justiça longe do calor emocional", completou a defesa, que também conta com os advogados André Nino e Daniele Vieira.
Acordo com Bia Miranda e segurança
A Justiça também atendeu a um pedido do Ministério Público para tentar fazer acordo com a influencer Bia Miranda, então namorada de Gato Preto, e que estava no Porsche com ele no momento da batida. O MP propôs uma transação penal para que ela pague R$ 150 mil de indenização, que será dividido entre as vítimas por não ter prestado socorro a elas e a uma entidade assistencial. Já o segurança particular do ex-casal, Felipe Junior da Silva Souza, que ajudou os influenciadores a fugirem do local do acidente em outro carro, firmou acordo para pagar R$ 10 mil de indenização para pai e filho e cumprir medidas alternativas, como prestação de serviços à comunidade. O MP sugeriu que Felipe e Bia aceitem acordos de não persecução penal. Do contrário, poderão ser denunciados por omissão de socorro e fuga.
Laudo aponta álcool e drogas
Segundo o Ministério Público, laudos apontaram que Gato Preto estava sob efeito de álcool, ecstasy e maconha e dirigia em alta velocidade quando avançou sinal vermelho e atingiu o Hyundai, que tinha a preferência no cruzamento da Avenida Faria Lima. No veículo atingido estavam Edilson e Ivan. O filho do motorista sofreu fratura na mandíbula e lesões na mão direita e no globo ocular. Apesar da gravidade do impacto, ninguém morreu. Para a Promotoria, o comportamento de Gato Preto indica que ele assumiu o risco de provocar mortes. Inicialmente tratado como lesão corporal, o caso teve a tipificação alterada para tentativa de homicídio em outubro de 2025.
Outros processos
Gato Preto já responde a outros processos na Justiça. Em agosto de 2025, ele virou réu por violência doméstica contra Bia Miranda, após ser acusado de agredi-la num hotel em Barueri, Grande São Paulo. Em dezembro do mesmo ano, foi preso em São Paulo por não pagar pensão alimentícia para um de seus filhos. Ele foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos após acumular uma dívida superior a R$ 57 mil. Depois foi solto. O influenciador também é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro com jogos ilegais de azar.



