A família do eletricista José Misael Alves de Sousa, morto após ser atropelado por um carro conduzido pelo sargento da Polícia Militar Ilton Borges Lima Júnior, realizou um protesto em frente à Delegacia de Caracaraí, no Sul de Roraima, cobrando a conclusão das investigações e justiça. O sargento, de 29 anos, foi indiciado por homicídio com dolo eventual, conforme informou a Polícia Civil nesta quinta-feira (30).
Detalhes do crime
O acidente ocorreu no dia 15 de fevereiro, no bairro Nossa Senhora do Livramento, em Caracaraí. De acordo com a Polícia Civil, o sargento dirigia sob efeito de álcool e trafegava a até 70 km/h em uma via residencial com limite de 40 km/h. No cruzamento da rua Estelito Lopes com a avenida Bem Querer, ele invadiu a preferencial e atingiu a lateral da moto conduzida por José Misael.
Perícia aponta falhas
A perícia identificou que o suspeito avistou a moto a aproximadamente onze metros de distância antes do impacto, mas não tentou frear. A força da batida arrastou o veículo da vítima por cerca de 27 metros. “O investigado tinha pleno conhecimento da via, das regras de trânsito e, ainda assim, assumiu deliberadamente o perigo de produzir o resultado letal”, destacou o delegado Bruno Gabriel Bezerra Costa.
Omissão de socorro e festa após acidente
Após a colisão, o sargento não acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Testemunhas foram responsáveis por chamar os socorristas. Horas depois, enquanto a vítima estava internada em estado gravíssimo, moradores viram o policial consumindo bebidas alcoólicas em uma festa de Carnaval. “A indiferença demonstrada após o atropelamento, aliada ao consumo de álcool, excesso de velocidade, invasão de preferencial e ausência de reação, evidencia que o autor assumiu o risco de matar”, afirmou o delegado.
Falhas na atuação policial
O inquérito policial apontou falhas dos policiais militares que atenderam a ocorrência inicialmente. Eles não submeteram o colega ao teste do bafômetro. A Polícia Civil enviou o relatório à Corregedoria da Polícia Militar de Roraima (PMRR) para investigar essas omissões. O delegado também solicitou à Justiça a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do indiciado e o bloqueio do veículo.
Relembre o caso
José Misael Alves de Sousa, de 49 anos, morreu devido a politraumatismo e traumatismo cranioencefálico causados pelo acidente. O óbito foi confirmado na mesma madrugada da colisão. No primeiro boletim de ocorrência, o sargento alegou que a vítima atravessou a rua “de forma repentina”. O documento da PM registra que pessoas retiraram os veículos do local do impacto e os moveram por cerca de 30 metros, impedindo a perícia. Policiais relataram que fizeram buscas pelo suspeito após a confirmação da morte, mas não o encontraram.
Protesto da família
No dia 19 de fevereiro, a família de José Misael se mobilizou em frente à Delegacia de Caracaraí, exibindo faixas e cartazes com frases como: “Queremos justiça!”, “Por que não fizeram o teste do bafômetro?” e “Por que não realizaram a perícia?”. O ato público reforçou a cobrança por uma investigação completa e punição ao responsável.
O g1 procurou a Polícia Militar para comentar o caso, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem. A reportagem também tenta contato com a defesa do sargento.



