Alcolumbre veta CPIs e impeachment de ministros do STF em 2026
Presidente do Senado proíbe temas espinhosos em ano eleitoral

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, já definiu os temas que considera proibidos para a Casa em 2026, um ano eleitoral. A decisão foi comunicada a aliados e visa evitar que o calendário legislativo seja paralisado por assuntos considerados espinhosos e de alto impacto político.

Veto às Comissões Parlamentares de Inquérito

A principal diretriz estabelecida por Alcolumbre é a de não abrir nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em pleno ano eleitoral. A sinalização ocorre em um momento de pressão de parte do plenário por uma CPI para investigar o escândalo financeiro conhecido como caso Master, que envolve suspeitas de irregularidades no sistema de pagamentos.

Senadores já começavam a se mobilizar para tirar a proposta do papel com a retomada dos trabalhos legislativos em fevereiro. No entanto, a avaliação da presidência do Senado é a de que, em anos eleitorais, a agenda do Congresso já sofre naturalmente com interrupções. Uma CPI de grande dimensão e repercussão, como a do caso Master, poderia paralisar completamente os trabalhos.

Impeachment de ministros do STF também está fora da pauta

Além das CPIs, Alcolumbre indicou outro assunto que não pretende permitir que avance em 2026: processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse tema tem sido frequentemente levantado por setores da direita no Congresso, que criticam decisões da Corte.

A expectativa de que a direita possa ter mais êxito nas urnas em outubro de 2026, contudo, cria um cenário diferente para o ano seguinte. Analistas políticos avaliam que a resistência de Alcolumbre talvez não seja suficiente para segurar esse tipo de iniciativa a partir de 2027, caso haja uma mudança significativa na correlação de forças no Legislativo.

Contexto e estratégia política

A postura do presidente do Senado reflete uma estratégia de controle da agenda e busca por estabilidade em um período tradicionalmente conturbado. Davi Alcolumbre, senador pelo Amapá, tem demonstrado em outros momentos que prioriza a governabilidade e evita crises institucionais de grande magnitude que possam desgastar o Poder Legislativo ou criar atritos irreparáveis com o Executivo e o Judiciário.

A decisão de travar temas polêmicos em 2026, portanto, é um movimento calculado. Seu objetivo é preservar o funcionamento mínimo do Senado e evitar que a Casa se torne um palco de guerras políticas que possam influenciar diretamente o processo eleitoral ou congelar a aprovação de matérias consideradas essenciais.

O anúncio feito a aliados deixa claro que, independentemente da pressão que virá com a volta do recesso parlamentar, a mesa diretora terá um filtro rígido para as proposições que podem gerar conflito e imobilismo. O foco, pelo menos oficialmente, será em pautas menos divisivas.