Artemis II: NASA lança foguete com quatro astronautas rumo à Lua após 52 anos
A missão Artemis II finalmente decolou, marcando um momento histórico para a exploração espacial. Pela primeira vez desde 1972, quatro humanos estão a caminho da Lua, iniciando uma jornada de dez dias que promete redefinir os limites da ciência e da tecnologia. O lançamento ocorreu na última quarta-feira (1º), a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e os olhos do mundo estão voltados para cada etapa desta aventura sem precedentes.
Dia 1: O início de uma jornada épica
Às 19h24 (horário de Brasília), o foguete SLS, o mais poderoso já operado pela NASA, levantou voo carregando a cápsula Orion. A bordo, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, embarcaram em uma missão que não prevê pouso lunar, mas sim testar todos os sistemas da Orion em voo tripulado no espaço profundo.
"É o primeiro passo, uma missão de teste. Nunca houve humanos voando nesse sistema antes", destacou Jared Isaacman, administrador da NASA. Nos primeiros minutos, o foguete descartou componentes em sequência:
- Com dois minutos de voo, os propulsores laterais se separaram a 13 quilômetros de altitude.
- Aos três minutos, o sistema de escape da cápsula foi descartado a 48 km de altura.
- Com oito minutos, já no espaço exterior, o estágio central se desprendeu a 153 km de altitude e 28.500 km/h.
Três horas e vinte minutos após a decolagem, o estágio superior também se separou, deixando a cápsula Orion finalmente sozinha em órbita da Terra.
Dia 2: A virada sem volta
Nesta quinta-feira (2 de abril), acontece a manobra mais crucial da fase inicial: a injeção translunar. O motor principal da Orion será acionado para uma queima que tirará a nave da órbita terrestre e a colocará em rota definitiva para a Lua. A partir desse momento, a gravidade da Terra e da Lua guiará a cápsula em uma trajetória de retorno livre.
"A queima que nos leva à Lua é também a nossa queima de reentrada", explicou a astronauta Christina Koch. "Antes mesmo de partirmos, já estamos reentrando — e reconhecer isso exige que toda a equipe esteja pronta para a missão completa desde o início."
Dias 3 a 5: Testes no espaço profundo
Com a rota definida, a tripulação seguirá em direção à Lua, testando sistemas críticos de suporte de vida, comunicação e navegação fora do alcance de satélites terrestres. Os astronautas praticarão procedimentos de emergência e manobras de pilotagem manual, com pequenas queimas de ajuste de rota. No final do dia 5, a Orion entra na esfera de influência gravitacional da Lua, onde a atração lunar supera a terrestre.
Dia 6: O encontro com a Lua
Este é o ponto alto da missão. A Orion passará entre 6.400 e 9.600 quilômetros acima da superfície lunar, oferecendo uma visão espetacular: a Lua aparecerá com o tamanho de uma bola de basquete segurada com o braço esticado. No entanto, ao passar pelo lado oculto, a nave ficará sem comunicação com a Terra por 30 a 50 minutos, bloqueada pelo corpo lunar.
"Para os 45 minutos em que estaremos mais perto da superfície lunar, também estaremos fora de contato", disse Victor Glover, piloto da missão. "Eu adoraria que o mundo inteiro pudesse estar torcendo e rezando para que a gente restabeleça o sinal." Nesse período, os astronautas fotografarão regiões inéditas e tentarão capturar novas imagens da Ascensão da Terra.
Dias 7 a 9: O caminho de volta
Após o sobrevoo lunar, a gravidade conduzirá o retorno. A tripulação continuará realizando testes de pilotagem, avaliações dos sistemas de energia e controle térmico, além de pequenas queimas de correção de trajetória para preparar a reentrada.
Dia 10: Reentrada e amerissagem
O encerramento da missão está programado para sexta-feira, dia 10 de abril. O módulo de serviço da Orion se separará e se destruirá na atmosfera, enquanto a cápsula tripulada entrará a 40.000 km/h, aquecendo o escudo térmico a 1.650°C. Paraquedas serão acionados para desacelerar a descida até o pouso no Oceano Pacífico, onde equipes da Marinha americana recuperarão a cápsula em menos de duas horas.
"Este é meu momento favorito da missão", disse Daniel Flores, diretor de testes da NASA. "Nossos amigos estão voando ao redor da Lua. É quando vamos trazê-los de volta para suas famílias."



