Astronauta da Artemis II registra fenômeno raro do 'brilho da Terra' durante viagem histórica à Lua
A astronauta Christina Koch, integrante da missão Artemis II da NASA, realizou um registro visual extraordinário durante sua jornada rumo à Lua. Através da janela da cápsula Orion, ela filmou o fenômeno conhecido como 'brilho da Terra' ou luz cinérea, um espetáculo luminoso raramente visível a olho nu a partir do espaço.
O momento histórico capturado no espaço
No vídeo gravado no segundo dia de voo, em 2 de abril, quando a nave Orion estava aproximadamente a 54.500 quilômetros do nosso planeta, Koch explica diretamente para a câmera: 'Caso você esteja se perguntando, a luz que você vê no meu rosto é o brilho da Terra. E aquela coisa linda na janela é a Terra'. As imagens mostram claramente como a luz suave iluminava seu rosto dentro da cabine escura da espaçonave.
Como funciona o fenômeno do brilho terrestre
Este fenômeno astronômico ocorre através de um processo fascinante de reflexão luminosa:
- A luz solar atinge a superfície da Terra
- Parte dessa luz é refletida de volta ao espaço
- A luz refletida pela Terra atinge a superfície da Lua
- A Lua então devolve essa luz para o espaço, criando o efeito visível
O resultado é uma iluminação suave e difusa que, quando observada da Terra, aparece na parte da Lua que não está voltada diretamente para o Sol durante as fases crescente ou minguante. Mesmo quando apenas um fino crescente lunar está iluminado diretamente pelo Sol, é possível visualizar o restante do disco lunar de forma fraca, porém perceptível, graças à luz que nosso planeta devolveu ao seu satélite natural.
Intensidade impressionante do fenômeno
Para os astronautas no espaço, o efeito do brilho terrestre pode ser particularmente intenso. Durante a histórica missão Apollo 11 em 1969, o astronauta Michael Collins relatou que a claridade proveniente da Terra através da janela era tão forte que 'dava para ler um livro com ela'. Estudos indicam que na superfície lunar, o brilho terrestre pode chegar a ser até 55 vezes mais intenso do que uma noite iluminada pela Lua cheia quando observada da Terra.
Curiosamente, o fenômeno tende a ser mais intenso entre os meses de abril e junho. Nesse período, a neve e o gelo ainda cobrem extensas áreas do Hemisfério Norte, aumentando significativamente o albedo terrestre - a quantidade de luz solar que nosso planeta reflete de volta ao espaço.
Contexto da missão Artemis II e preparativos futuros
A Artemis II representa a primeira missão a levar seres humanos às proximidades da Lua desde a Apollo 17 em 1972. O programa Artemis tem como objetivos principais preparar o retorno à superfície lunar e, a longo prazo, estabelecer as bases para enviar astronautas a Marte.
Enquanto isso, os preparativos para missões futuras continuam avançando. Recentemente, a NASA transportou o estágio central do foguete da Artemis III de sua fábrica em Nova Orleans até uma barcaça que o levará ao Centro Espacial Kennedy na Flórida. Com impressionantes 64 metros de altura quando completo, este estágio constitui a maior peça do foguete e abriga os tanques de combustível que alimentam os quatro motores responsáveis por colocar a nave em órbita.
A Artemis III, programada para 2027, não realizará um pouso lunar, mas testará em órbita terrestre o acoplamento crítico entre a nave Orion e as espaçonaves comerciais da SpaceX e da Blue Origin. Esta manobra é considerada essencial para que a Artemis IV, planejada para 2028, possa finalmente realizar o pouso de astronautas na superfície lunar pela primeira vez em mais de cinco décadas.
O registro do brilho terrestre por Christina Koch não apenas documenta um fenômeno astronômico fascinante, mas também simboliza a continuidade da exploração espacial humana, conectando as experiências dos astronautas da era Apollo com as novas gerações que preparam o retorno à Lua e além.



