Astronauta da Artemis II captura fenômeno raro do 'pôr da Terra' com iPhone
O astronauta Reid Wiseman, comandante da missão Artemis II da NASA, realizou um registro histórico ao filmar um "pôr da Terra", fenômeno extraordinário em que nosso planeta desaparece gradualmente atrás do horizonte lunar quando observado do espaço profundo. O vídeo, com duração de 52 segundos, foi gravado no dia 6 de abril utilizando um simples iPhone, através da janela de acoplamento da cápsula Orion, enquanto a tripulação sobrevoava o misterioso lado oculto da Lua, região que nunca fica voltada para a Terra.
Vídeo viraliza nas redes sociais com milhões de visualizações
Wiseman compartilhou as imagens impressionantes no último domingo, 19 de abril, através da rede social X, e até a noite de segunda-feira o conteúdo já havia alcançado a marca impressionante de 14 milhões de visualizações. "É como assistir ao pôr do sol na praia, mas a partir do lugar mais estranho do cosmos", descreveu emocionado o comandante da missão. "Uma oportunidade única na vida, realmente inesquecível."
Nas imagens capturadas, a Terra aparece como uma pequena esfera azul e branca que vai desaparecendo lentamente atrás da superfície cinzenta e repleta de crateras da Lua. Enquanto Wiseman realizava a filmagem com seu celular, a astronauta Christina Koch registrava o mesmo fenômeno utilizando uma câmera profissional Nikon. Os outros membros da tripulação, Victor Glover e Jeremy Hansen, acompanharam a cena majestosa através de outra janela da nave espacial.
Registro histórico que remete às missões Apollo
"Mal conseguia enxergar a Lua pela janela, mas o iPhone tinha o tamanho perfeito para capturar toda a cena", explicou detalhadamente o comandante Wiseman. "O vídeo não possui cortes nem qualquer tipo de edição, utilizando zoom de 8x — resultado muito similar ao que o olho humano consegue perceber naquele ambiente."
Este registro contemporâneo remete diretamente à icônica fotografia do "nascer da Terra", tirada pelos astronautas da missão Apollo 8 em 1968, durante a primeira viagem humana ao redor da Lua. Naquela imagem histórica, porém, a Terra surgia por trás do horizonte lunar, enquanto no vídeo atual ocorre o fenômeno inverso do desaparecimento.
Preparações avançam para a missão Artemis III
Paralelamente a este marco visual, a NASA deu mais um passo significativo em seu programa lunar. Na segunda-feira, a agência espacial transportou o estágio central do foguete da Artemis III desde sua fábrica em Nova Orleans até uma balsa especializada que o levará ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida. No local, o componente será meticulosamente montado e preparado para o lançamento previsto para 2027.
Com impressionantes 64 metros de altura quando completamente montado, este estágio representa a maior peça individual do foguete e abriga os tanques de combustível que alimentam os quatro potentes motores responsáveis por colocar a nave em órbita terrestre. A missão Artemis III, importante destacar, não realizará um pouso lunar direto.
Seu objetivo principal será testar, em órbita terrestre, o complexo acoplamento entre a nave Orion e as espaçonaves comerciais desenvolvidas pela SpaceX e pela Blue Origin. Esta manobra é considerada absolutamente essencial para que a missão Artemis IV, programada para 2028, consiga finalmente pousar astronautas na superfície lunar após mais de cinco décadas desde a última visita humana.
Significado histórico do programa Artemis
A missão Artemis II representa o primeiro voo tripulado às proximidades da Lua desde a histórica Apollo 17 em 1972. Os objetivos fundamentais do programa Artemis incluem preparar o retorno sustentável à superfície lunar e, em uma perspectiva de longo prazo, estabelecer as bases tecnológicas e operacionais para enviar astronautas até o planeta Marte.
O lado oculto da Lua, região que permanece eternamente voltada para longe da Terra devido ao fenômeno de rotação sincronizada, continua sendo um dos grandes mistérios e objetos de estudo da exploração espacial contemporânea. O registro feito por Wiseman não apenas documenta um fenômeno celestial raro, mas também demonstra como tecnologias cotidianas, como smartphones, podem contribuir para a documentação científica e inspiração pública na era espacial moderna.



