Astronautas da Artemis II capturam imagens inéditas do lado oculto da Lua
Artemis II: fotos inéditas do lado oculto da Lua impressionam

Missão Artemis II revela segredos do lado oculto da Lua em observação histórica

Durante uma jornada espacial inédita, os quatro astronautas da missão Artemis II, da NASA, dedicaram aproximadamente sete horas a observar minuciosamente a superfície lunar de uma distância privilegiada de 6,5 mil quilômetros. A proximidade sem precedentes proporcionou uma visão detalhada de regiões que, até então, eram estudadas exclusivamente por sondas e satélites automáticos. Através das janelas da cápsula Orion, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen capturaram fotografias impressionantes de fenômenos celestes raramente testemunhados por olhos humanos.

Cores e padrões inesperados na superfície lunar

Os relatos da tripulação descrevem cores incomuns e padrões ondulados na superfície da Lua, contrastando fortemente com a aparência cinza uniforme tradicionalmente associada ao nosso satélite natural. Tons esverdeados e marrons foram observados, especialmente no lado oculto, uma região mais antiga, montanhosa e densamente craterada. Esta área apresenta características distintas do lado visível, marcado por vastas planícies escuras de origem vulcânica conhecidas como mares lunares.

A experiência permitiu comparações inéditas entre a Terra e a Lua vistas do espaço profundo. Em um momento singular, os astronautas conseguiram observar ambos os corpos celestes simultaneamente. “A Terra parece muito mais brilhante”, destacou a astronauta Christina Koch, enfatizando a diferença significativa na refletividade entre os dois astros. Reid Wiseman complementou: “A lua tem cerca de três a quatro vezes o tamanho da Terra e está quase cheia, sendo apenas um pequeno crescente lá fora. É magnífica! Uma vista majestosa daqui”.

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O histórico 'pôr da Terra' e recordes quebrados

Uma das imagens mais emblemáticas da missão foi o chamado “pôr da Terra”, fenômeno no qual o planeta parece desaparecer gradualmente atrás do horizonte lunar. Esta cena é considerada uma sucessora espiritual da famosa fotografia “Earthrise”, registrada pela missão Apollo 8 em 1968. Desta vez, porém, o movimento é inverso: a Terra surge parcialmente iluminada antes de se ocultar por trás da superfície craterada da Lua.

Na imagem capturada, é possível distinguir detalhes como nuvens sobre a Austrália e a Oceania. Em primeiro plano, destaca-se a cratera Ohm, com suas bordas em camadas e picos centrais formados por um impacto antigo. “Essa é a vista mais linda que um ser humano pode jamais experimentar”, declarou Wiseman sobre o momento. A tripulação também registrou o “nascer da Terra” durante a passagem pelo lado oculto, onde o planeta apareceu como um delicado crescente azul contra a escuridão do espaço.

Os astronautas da Artemis II estabeleceram um novo marco na exploração espacial ao viajar mais longe da Terra do que qualquer ser humano anteriormente. No dia 6 de abril de 2026, alcançaram aproximadamente 406,7 mil quilômetros de distância, superando o recorde mantido pela missão Apollo 13 desde 1970.

Observações detalhadas e percepções subjetivas

A tripulação recebeu uma lista final de 30 alvos para observação na superfície lunar, incluindo a Bacia Orientale, uma formação com 3,8 bilhões de anos e quase 965 quilômetros de diâmetro, conhecida como o “Grand Canyon” da Lua. Localizada na transição entre os lados visível e oculto, esta estrutura impressionou pela sua simetria quase perfeita. “Tem um aspecto muito organizado... muito mais circular do que me lembro de ter visto durante o nosso treinamento”, observou Wiseman.

A iluminação durante o sobrevoo do terminador lunar — a linha que separa o dia e a noite — revelou sombras longas que destacaram dramaticamente o relevo de crateras e montanhas. A astronauta Christina Koch ofereceu uma analogia poética ao descrever o brilho de pequenas crateras: “Parece um abajur com pequenos furinhos e a luz brilhando através deles. Elas são muito brilhantes em comparação com o resto da Lua”.

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Eclipse solar prolongado e fenômenos únicos

Outro momento extraordinário foi a observação de um eclipse solar a partir da perspectiva lunar, uma experiência completamente diferente daquela vista da Terra. Do ponto de vista da tripulação, a Lua bloqueou o Sol por cerca de uma hora, um período significativamente mais longo do que os poucos minutos típicos de um eclipse total observado do nosso planeta.

Durante este evento, os astronautas puderam ver com clareza a coroa solar formando um halo brilhante ao redor do disco escuro da Lua. A escuridão resultante revelou estrelas e até o planeta Vênus visível ao fundo. “É realmente difícil descrever. É uma visão incrível”, afirmou o astronauta Victor Glover. Além disso, a tripulação testemunhou em tempo real flashes na superfície lunar causados por impactos de meteoros, um fenômeno geológico raramente observado diretamente.

Esta missão histórica não apenas quebrou recordes de distância, mas também demonstrou o valor insubstituível da observação humana direta, capaz de identificar padrões, contrastes e detalhes que frequentemente escapam aos instrumentos automatizados, enriquecendo nosso entendimento do cosmos com descrições vívidas e percepções únicas.